STF autoriza envio de provas sobre produtora de filme de Bolsonaro para a Polícia Federal.
- Hermes Vissotto

- há 1 hora
- 2 min de leitura

BOA VISTA — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou o compartilhamento com a Polícia Federal (PF) das informações e documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em investigação que envolve a produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão, proferida nesta segunda-feira (24), autoriza os investigadores federais a utilizarem o material no inquérito que apura suspeitas em relação ao financiamento da produção cinematográfica intitulada Dark Horse. O processo corre em segredo de justiça.
Buscas e apreensões em São Paulo
A operação paulista foi realizada em junho pela Polícia Civil, com o cumprimento de mandados de busca em endereços ligados a Karina, além das sedes do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse. A apuração estadual investiga possíveis fraudes e desvios de recursos públicos em contrato firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo.
Com a liberação do STF, a PF passará a analisar os documentos e mídias recolhidos na operação para verificar se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares foram destinados a entidades e empresas ligadas à produção do longa-metragem.
Conexões com emendas e setor financeiro
As investigações também abrangem a relação da produtora com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A produtora e o filme entraram no radar das autoridades após a apuração de aportes financeiros feitos por Vorcaro para a realização do projeto.
Outra frente do caso apura a destinação de verbas parlamentares. Em maio, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) prestou esclarecimentos ao ministro Flávio Dino sobre a destinação de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. A defesa de Frias negou ao STF qualquer utilização dessa verba para financiar o filme Dark Horse.
Próximos passos
O compartilhamento das provas constitui uma etapa formal de instrução probatória e não representa uma conclusão definitiva sobre eventuais irregularidades. Caberá à Polícia Federal periciar o material recebido para confirmar ou descartar as suspeitas levantadas.

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