ELEIÇÕES 2026: O que os logos de Lula e Flávio Bolsonaro revelam sobre suas campanhas.
- Hermes Vissotto

- há 1 dia
- 2 min de leitura

No marketing político contemporâneo, a identidade visual deixou de ser mero adorno estético para se consolidar como peça fundamental de posicionamento estratégico. A análise das marcas das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro demonstra como a escolha de cores, tipografia e fotografia busca dialogar diretamente com o subconsciente do eleitor muito antes da ida às urnas.
LULA: PRESERVAR PARA AVANÇAR

O vermelho continua dominante.
O nome continua pesado.
A leitura continua imediata.
Mas verde, amarelo e azul entram na composição.

Terno e gravata constroem o presidente.
O chapéu e o sorriso recuperam o personagem popular.
E repare nas cores: nada de vermelho na roupa. Azul, branco e uma fotografia limpa ajudam Lula a ocupar uma imagem mais nacional e menos partidária.
FLÁVIO BOLSONARO: UMA MARCA MAIS PESSOAL

Sai o peso institucional. Entra o traço de assinatura.
A tipografia é mais leve, humana e pessoal.
E toda a atenção vai para uma letra: o V.

O “V” É A ESTRATÉGIA
O “V” concentra vários significados:
FláVio.
Vitória.
Verde e amarelo.
E ainda carrega uma conexão visual com Jair Bolsonaro, já que o desenho foi inspirado em um “V” manuscrito por ele.
O Design como Resposta Estratégica
No fundo, o confronto de marcas entre Lula e Flávio expõe uma verdade central do marketing político contemporâneo: as escolhas estéticas não são meramente ornamentais. As duas identidades tentam resolver problemas estratégicos inteiramente distintos.
Lula: Consolidação e Alcance
Para a campanha de Lula, o desafio visual é de estabilização e amplitude:
Manter o reconhecimento: Preservar a memória afetiva e a familiaridade já consolidadas ao longo de décadas junto ao eleitorado.
Transmitir força: Projetar liderança, resiliência e solidez institucional.
Ampliar a marca nacionalmente: Garantir que os elementos visuais funcionem com consistência em diferentes regiões do país, unificando a mensagem da candidatura.
Flávio: Afirmação e Síntese
Do outro lado, a marca de Flávio responde a imperativos de afirmação e penetração rápida:
Construir identidade própria: Marcar um espaço singular no cenário político, diferenciando-se no detalhe.
Aproveitar o espólio político: Conectar-se organicamente a uma base eleitoral pré-existente sem perder a própria voz.
Criar um símbolo de fácil memorização: Acelerar a retenção do eleitor por meio de uma identidade gráfica direta, de rápido assimilação visual e apelo popular.
A Lição do Design Político
A principal lição que fica dessa comparação é cristalina: identidade visual política não existe para decorar uma campanha. Existe para resolver um problema estratégico.
Quando a estampa do santinho, as cores do palco ou a tipografia do slogan falham em dialogar com o objetivo de fundo do candidato, o design vira ruído. Quando acertam, transformam-se em uma das ferramentas mais poderosas de persuasão e síntese política.

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