O "Presidente" do Petróleo: Por que Trump Publicou uma Falsa Biografia como Líder da Venezuela?
- Hermes Vissotto

- há 2 dias
- 2 min de leitura

No último domingo, o mundo acordou com uma imagem que parecia saída de um filme de ficção política, mas que brotou diretamente da conta oficial de Donald Trump na Truth Social. Uma montagem simulando a Wikipédia apresentava o republicano com um novo título: "Presidente Interino da Venezuela".
Para o leitor desatento, pode parecer apenas mais um "meme" da era digital. Para quem acompanha os bastidores do poder, é o anúncio de uma nova e agressiva era na geopolítica das Américas.
O Fato: A Montagem e o Recado
A imagem compartilhada por Trump exibe sua biografia editada, listando-o como governante em exercício da Venezuela desde janeiro de 2026. Embora a página real da Wikipédia nunca tenha sido alterada oficialmente, a "brincadeira" de Trump carrega um peso de realidade brutal.
A publicação ocorre apenas oito dias após a Operação Resolução Absoluta, a incursão militar dos EUA que capturou Nicolás Maduro em Caracas. Hoje, Maduro aguarda julgamento em Nova York, e o vácuo de poder na Venezuela está sendo preenchido por uma mão de ferro vinda de Washington.
Para que todos entendam: não, legalmente ele não é.
1. A Sucessão Formal: Na teoria, a presidência interina em Caracas é ocupada por Delcy Rodríguez, que assumiu após a deposição de Maduro.
2. A Tutela Real: Na prática, Trump já declarou que o governo de Rodríguez está sob "tutela norte-americana". Ao se postar como presidente interino, Trump não está buscando um cargo diplomático, mas enviando um sinal aos mercados e aos adversários: a Venezuela agora é um protetorado dos EUA.
O Petróleo
Por que essa encenação agora? A resposta tem cheiro de combustível. Logo após a postagem, Trump reuniu-se com gigantes como ExxonMobil e Chevron. O objetivo é claro: garantir que entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano fluam para os EUA como "pagamento" pela operação militar.
Ao se autodeclarar líder do país vizinho, ele invalida qualquer resistência diplomática de aliados de Maduro, como Cuba e Rússia. É a política do fato consumado: se ele diz que manda, e o exército está lá para garantir, o mercado internacional tende a seguir o fluxo do petróleo.
O que esperar agora?
Estamos diante de um experimento de soberania sem precedentes no século XXI. Trump está testando os limites do Direito Internacional, substituindo as regras da ONU pela "doutrina do resultado".
Para o cidadão comum, o que resta é observar como essa "presidência simbólica" afetará o preço da gasolina e a estabilidade na América Latina. O que começou com um print editado pode terminar com o redesenho total do mapa energético do planeta.

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