O Grande Divórcio: Trump ordena saída de mais de 60 organizações internacionais dos EUA.
- Hermes Vissotto

- 8 de jan.
- 6 min de leitura

Nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. Em uma canetada que ecoará por décadas nos livros de história e nos corredores da diplomacia, o presidente Donald Trump oficializou o que muitos chamam de "O Grande Divórcio Global". Ao ordenar a saída dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, Washington não apenas desliga a torneira do financiamento, mas redesenha o mapa do poder mundial.
MEMORANDO PRESIDENCIAL
PARA: Chefes de Departamentos e Agências Executivas
DATA: 7 de janeiro de 2026
ASSUNTO: Retirada dos Estados Unidos de Organizações Internacionais, Convenções e Tratados que são Contrários aos Interesses dos Estados Unidos
Seção 1.
Propósito. (a) Sob minha direção, o Secretário de Estado conduziu uma revisão exaustiva de todas as organizações intergovernamentais internacionais das quais os Estados Unidos são membros ou para as quais fornecem financiamento ou apoio, bem como de todas as convenções e tratados dos quais os Estados Unidos são parte.
(b) Considerei o relatório do Secretário de Estado e, após deliberação com meu Gabinete, determinei que é contrário aos interesses dos Estados Unidos permanecer como membro, participar ou de outra forma fornecer apoio às organizações listadas na Seção 2 deste memorando.
(c) Em conformidade com a Ordem Executiva 14199 e de acordo com a autoridade a mim conferida como Presidente pela Constituição e pelas leis dos Estados Unidos da América, ordeno que todos os departamentos e agências executivas tomem medidas imediatas para efetivar a retirada dos Estados Unidos das entidades listadas. No caso de entidades das Nações Unidas, a retirada significa cessar a participação ou o financiamento dessas entidades na medida permitida por lei.
Seção 2.
Organizações das quais os Estados Unidos se retirarão. Os Estados Unidos se retirarão das seguintes organizações, comissões, agências e painéis:
(i) Organizações Não Pertencentes à ONU:
Compacto de Energia Livre de Carbono 24/7; 2. Conselho do Plano Colombo; 3. Comissão para Cooperação Ambiental; 4. Educação Não Pode Esperar; 5. Centro Europeu de Excelência para o Enfrentamento de Ameaças Híbridas; 6. Fórum dos Laboratórios Europeus de Pesquisa Rodoviária Nacional; 7. Coalizão pela Liberdade Online; 8. Fundo Global de Engajamento Comunitário e Resiliência; 9. Fórum Global de Contraterrorismo; 10. Fórum Global sobre Especialização em Cibersegurança; 11. Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento; 12. Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudanças Globais; 13. Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável; 14. Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC); 15. Plataforma Intergovernamental Científico-Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES); 16. Centro Internacional para o Estudo da Preservação e Restauração de Bens Culturais (ICCROM); 17. Comitê Consultivo Internacional do Algodão; 18. Organização Internacional de Direito do Desenvolvimento (IDLO); 19. Fórum Internacional de Energia; 20. Federação Internacional de Conselhos de Artes e Agências de Cultura; 21. Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral (IDEA Internacional); 22. Instituto Internacional para a Justiça e o Estado de Direito; 23. Grupo Internacional de Estudos sobre Chumbo e Zinco; 24. Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA); 25. Aliança Solar Internacional; 26. Organização Internacional de Madeiras Tropicais; 27. União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN); 28. Instituto Pan-Americano de Geografia e História; 29. Parceria para a Cooperação Atlântica; 30. Acordo Regional de Cooperação para o Combate à Pirataria e ao Roubo Armado contra Navios na Ásia; 31. Conselho de Cooperação Regional; 32. Rede de Políticas de Energia Renovável para o Século XXI (REN21); 33. Centro de Ciência e Tecnologia na Ucrânia; 34. Secretaria do Programa Regional do Meio Ambiente do Pacífico; 35. Comissão de Veneza do Conselho da Europa.
(ii) Organizações e Entidades Pertencentes à ONU:
Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (UN DESA); 2. Comissão Econômica para a África; 3. Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL); 4. Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico; 5. Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental; 6. Comissão de Direito Internacional; 7. Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Criminais; 8. Centro de Comércio Internacional; 9. Escritório do Assessor Especial para a África; 10. Representante Especial para Crianças em Conflitos Armados; 11. Representante Especial para Violência Sexual em Conflitos; 12. Representante Especial para Violência contra Crianças; 13. Comissão de Consolidação da Paz; 14. Fundo de Consolidação da Paz; 15. Fórum Permanente sobre Pessoas de Ascendência Africana; 16. Aliança das Civilizações da ONU; 17. Programa ONU-REDD; 18. Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD); 19. Fundo da ONU para a Democracia; 20. ONU-Energia; 21. ONU Mulheres; 22. Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); 23. ONU-Habitat; 24. Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR); 25. ONU-Oceanos; 26. Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA); 27. Registro de Armas Convencionais da ONU; 28. Conselho de Chefes Executivos da ONU; 29. Colégio do Sistema das Nações Unidas; 30. ONU-Água; 31. Universidade das Nações Unidas.
Seção 3.
Orientações de Implementação. (a) O Secretário de Estado e os chefes de todas as outras agências relevantes devem, imediatamente, emitir notificações formais de retirada ou tomar medidas administrativas para cessar toda a participação e financiamento para as entidades acima.
(b) Quaisquer fundos anteriormente destinados a estas organizações devem ser redirecionados para as prioridades nacionais dos Estados Unidos, conforme determinado pelo Diretor do Escritório de Gestão e Orçamento (OMB).
Seção 4.
Disposições Gerais. Nada neste memorando deverá ser interpretado de forma a prejudicar ou afetar a autoridade concedida por lei a um departamento ou agência. Este memorando será implementado de acordo com a lei aplicável e sujeito à disponibilidade de dotações.
[ASSINADO]
Donald J. Trump
Presidente dos Estados UnidosDonald Trump assinou uma proclamação presidencial retirando os EUA de dois grandes blocos de influência:
31 entidades ligadas à ONU: Incluindo braços fortes como a ONU Mulheres e a Convenção do Clima.
35 organizações fora da ONU: Desde alianças de energia solar até centros de preservação cultural.
O argumento da Casa Branca é curto e grosso: essas organizações estariam operando de forma "contrária aos interesses nacionais" e promovendo o que o governo classifica como uma agenda "woke" e globalista.
Imagine que os Estados Unidos são o principal sócio de um grande clube. Eles não apenas pagam as contas mais altas, mas sua presença atrai outros sócios e garante que as regras sejam seguidas. Quando o "sócio-majoritário" sai e leva o talão de cheques embora, o clube corre o risco de fechar as portas ou ter que mudar radicalmente de gerência.
As 3 Áreas que Mais Vão Sentir o Impacto
Para facilitar o entendimento, dividimos as baixas em três pilares fundamentais:
1. O Clima e o Meio Ambiente
Com a saída do IPCC (Painel do Clima) e da UNFCCC, os EUA abandonam a liderança na luta contra o aquecimento global.
O risco: Acordos como o de Paris perdem força política e financeira, o que pode acelerar mudanças climáticas que afetam a agricultura e o regime de chuvas, inclusive aqui no Brasil.
2. Direitos Humanos e Questões Sociais
A retirada da ONU Mulheres e do Fundo de População (UNFPA) sinaliza um corte profundo em programas de proteção à mulher e saúde reprodutiva global. O governo Trump entende que essas agências focam em ideologias que não representam os valores americanos atuais.
3. Economia e Desenvolvimento Regional
Para nós, latino-americanos, a saída da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) é um golpe. Essa entidade é crucial para estudos e coordenação de políticas de desenvolvimento na nossa região. Sem o apoio dos EUA, o diálogo econômico no continente fica mais fragmentado.
Na física e na política, o vácuo não existe por muito tempo. Se os EUA saem, outra potência entra.
"Estamos vendo a cristalização da abordagem 'ou do meu jeito, ou nada feito'", explicam analistas.
A grande pergunta que fica no ar é: a China ou a União Europeia conseguirão (ou quererão) cobrir o rombo financeiro e político deixado pelos americanos? Se a China assumir a liderança dessas organizações, as regras do jogo global podem começar a falar mandarim.
Este é um movimento de soberania extrema. Para os apoiadores de Trump, é a libertação do dinheiro do pagador de impostos. Para os críticos, é o isolacionismo que pode deixar os EUA sozinhos em uma mesa de negociações cada vez mais complexa.
O "Efeito Dominó" já começou: outras nações aliadas podem seguir o exemplo, ou, pelo contrário, se unir ainda mais para salvar o que resta da ordem internacional.

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