EUA e Brasil articulam cerco ao crime organizado em primeira reunião bilateral após classificação de PCC e CV como terroristas.
- Hermes Vissotto

- 8 de jul.
- 2 min de leitura

BOA VISTA - Em um desdobramento estratégico para a segurança na América Latina, integrantes do governo de Donald Trump e o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, realizaram nesta quarta-feira (8) a primeira reunião bilateral formal desde que Washington classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
O encontro, solicitado pela diplomacia americana, ocorreu nos bastidores da 17ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), na cidade histórica de Cusco, no Peru.
O Alvo de Washington e a Resposta Brasileira
Representando os Estados Unidos, o subsecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, enfatizou o interesse da Casa Branca em fortalecer parcerias continentais para sufocar o crime organizado transnacional, apontando o Brasil como um interlocutor indispensável nessa engrenagem.
Embora o Ministério da Defesa do Brasil não tenha confirmado se as duas maiores facções do país foram citadas nominalmente durante a conversa de bastidores, o pano de fundo do encontro é indissociável da recente decisão de Donald Trump. A designação de PCC e CV como "terroristas" deu superpoderes legais às autoridades americanas para congelar ativos, monitorar movimentações financeiras internacionais e caçar redes criminosas com atuação fora das fronteiras brasileiras.
Divisão de Poderes em Brasília
Apesar do forte aceno de cooperação por parte de José Múcio, o governo brasileiro adotou uma postura cautelosa e institucional, delimitando claramente as linhas de atuação das Forças Armadas:
Atribuição Civil: Múcio fez questão de sublinhar que o protagonismo e as políticas de combate ao narcotráfico no Brasil cabem, por lei, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O Papel da Defesa: A contribuição das Forças Armadas brasileiras se concentrará na inteligência, logística e operações de vigilância rigorosa na faixa de fronteira, onde o Exército e a Força Aérea já realizam bloqueios contra o tráfico de armas e drogas.
Além do Tráfico: Agenda Militar em Pauta
A delegação brasileira garantiu que o encontro transcorreu em um clima de "extrema cordialidade" e que há uma convergência clara sobre a necessidade de proteger as fronteiras regionais.
Contudo, para além do foco policial-americano nas facções, a agenda prioritária levada por José Múcio envolveu termos estritamente militares: a ampliação de exercícios militares conjuntos, o intercâmbio de tropas e a troca de experiências institucionais entre o Pentágono e as Forças Armadas brasileiras.
O fórum da CMDA reúne delegações de 34 países e segue como o principal palco de debates sobre cooperação e segurança no continente. Ao longo da semana, o ministro brasileiro deve manter outras reuniões bilaterais com lideranças de Defesa da região.

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