ECONOMIA: Por que Lula escolheu o “Sucessor Silencioso” para o lugar de Haddad?
- Hermes Vissotto

- há 1 dia
- 3 min de leitura

O Palácio do Planalto não é lugar para amadores, e o que estamos presenciando nesta semana é uma das manobras mais calculadas do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Com a saída confirmada de Fernando Haddad para capitanear a linha de frente da reeleição, o governo acaba de enviar um recado cifrado, mas poderosíssimo, ao Brasil e ao mundo: a ordem é continuidade.
Se você ouviu os nomes Dario Durigan e Rogério Ceron e não sabe exatamente o que eles representam, não se preocupe. Nesta matéria, vamos abrir a "caixa-preta" da Fazenda e explicar por que essa escolha pode ser a cartada de mestre para manter o dólar sob controle e a economia nos trilhos até 2026.
O Tabuleiro: Quem sai e quem entra?
Para entender o presente, precisamos olhar para as cadeiras. No governo, o Ministério da Fazenda funciona como o coração financeiro da nação.
A Saída de Haddad: Fernando Haddad deixará o cargo em fevereiro. Ele não sai por "crise", mas por estratégia. Lula precisa de um articulador político de peso ao seu lado para a campanha, e Haddad, após equilibrar as contas e aprovar a Reforma Tributária, sai com o "dever cumprido" aos olhos do Planalto.
O Herdeiro (Dario Durigan): Atual Secretário-Executivo (o "número 2"), Durigan é o nome escolhido para ser o novo Ministro. Ele é o braço direito de Haddad e conhece cada vírgula do orçamento.
O Novo Braço Direito (Rogério Ceron): Com a subida de Durigan, a vaga de número 2 deve ser ocupada por Rogério Ceron, hoje Secretário do Tesouro Nacional.
No jargão econômico, fala-se muito em "Pouso Suave". Imagine que o Ministério da Fazenda é um avião. Trocar o piloto no meio do voo sempre gera turbulência. Se Lula escolhesse um político de fora, o mercado financeiro poderia entrar em pânico, temendo mudanças bruscas nos juros ou nos gastos públicos.
Ao escolher Durigan e Ceron, Lula está dizendo: "O piloto mudou, mas o plano de voo é o mesmo".
Quem é Dario Durigan?
Durigan não é um político tradicional. Ele é um advogado com mestrado pela USP e uma trajetória que mistura o rigor público com a visão privada (ele já foi diretor no WhatsApp/Meta).
Sua marca: É discreto, extremamente técnico e tem trânsito livre tanto com os movimentos sociais quanto com os grandes banqueiros da Faria Lima.
Quem é Rogério Ceron?
Ceron é o homem que cuida do cofre (Tesouro Nacional). Ele é reconhecido por sua obsessão por números e por manter a dívida pública sob controle. Sua promoção a "número 2" garante que o rigor com o dinheiro público continuará sendo a prioridade.
A estratégia de Lula é clara: blindar a economia da "fervura" eleitoral de 2026. Ao colocar técnicos de confiança no comando, o presidente libera Haddad para a política sem desestabilizar os indicadores econômicos que ele tanto lutou para estabilizar.
O que esperar nos próximos meses:
Manutenção das Metas: Não espere reviravoltas na política fiscal.
Foco na Implementação: Agora que as leis foram aprovadas (como a Tributária), a missão de Durigan será colocá-las em prática.
Diálogo com o BC: Durigan tem um perfil mais suave para dialogar com o Banco Central, o que pode facilitar a queda dos juros a longo prazo.
A mudança na Fazenda é um reforço de fundações. Lula escolheu a segurança em vez da surpresa. Para o cidadão comum, isso significa menos volatilidade no preço dos alimentos e do combustível, já que a economia brasileira detesta incertezas.
Fique de olho: o "Sucessor Silencioso" pode ser o responsável por entregar um país com inflação baixa no dia da eleição.
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