Reviravolta em RR: PM condenado por agredir frentista negro perde patente de tenente-coronel e volta a ser major.
- Hermes Vissotto

- 20 de mai.
- 2 min de leitura

O cenário político e militar de Roraima ganha mais um capítulo complexo de disputa administrativa e jurídica. O policial militar Jefferson Gomes da Silva, de 40 anos, que ganhou repercussão nacional após ser filmado agredindo um frentista negro em Boa Vista, foi rebaixado de patente. Ele deixou o posto de tenente-coronel e retornou ao cargo de major após 144 dias da sua promoção.
O decreto que anulou a ascensão do militar foi publicado no Diário Oficial do Estado pelo governador Soldado Sampaio (Republicanos), que justificou que as promoções daquela leva "ocorreram de forma indevida".
Cronologia do Caso: Da Agressão à Queda de Patente
Para compreender o impacto do caso, é preciso cruzar os âmbitos judicial e administrativo que envolvem o oficial:
Abril de 2022 (A agressão): Imagens de segurança flagraram o militar desferindo um tapa no rosto de um frentista de 26 anos em um posto de combustível. A vítima não reagiu.
Maio de 2022 (A honraria): Apenas um mês após o episódio, a Assembleia Legislativa aprovou a entrega da comenda "Orgulho de Roraima" ao policial, por indicação do deputado Gabriel Picanço (Republicanos).
Novembro de 2022 (Réu na Justiça): O Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou o PM, e a Justiça aceitou a acusação pelos crimes de lesão corporal, ameaça e injúria racial.
Dezembro de 2025 (Promoção por Merecimento): Três anos após virar réu, Jefferson foi promovido a tenente-coronel pelo critério de "merecimento", em ato assinado pelo então governador Antonio Denarium (Republicanos).
Maio de 2026 (O Rebaixamento): O atual governo revisa o ato e suspende a promoção, fazendo o oficial retornar ao posto anterior.
Duas Versões sobre o Rebaixamento
A perda da patente gerou um embate de narrativas entre o comando do Estado e a defesa do próprio policial:
A versão do Comando da PM: A Polícia Militar de Roraima esclareceu que a revisão das promoções ocorreu devido a uma demanda judicial movida por outro oficial da corporação, que contestou a legalidade e os critérios aplicados nas promoções de 2025.
A versão de Jefferson Gomes: Procurado, o major contestou o termo "rebaixamento" e minimizou o ato, afirmando que foi apenas "notificado administrativamente". Ele declarou ainda que a perda do posto é uma questão técnica e não possui qualquer relação com o processo em que é réu pela agressão ao trabalhador.
Situação Judicial Atual
Apesar de a PM alegar que o rebaixamento atual se deve a um erro técnico nas vagas de promoção, a situação penal do major Jefferson Gomes segue pesada na Justiça roraimense.
Em primeira instância, o militar já foi condenado a 7 meses e 23 dias de detenção por injúria real e lesão corporal, com cumprimento inicial em regime aberto, além do pagamento de uma indenização de R$ 15 mil à vítima. O Ministério Público confirmou que o processo agora aguarda o julgamento de recurso em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR).
O Portal Hermes Vissotto segue acompanhando o desfecho do recurso judicial e os desdobramentos administrativos na Polícia Militar.
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