PF deflagra Operação Lemming e mira mãe de Jalser Renier por suspeita de compra de votos em Roraima.


BOA VSITA - A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (1º), a Operação Lemming, tendo como um dos principais alvos a mãe do candidato a deputado estadual Jalser Renier Padilha. A ação investiga um esquema de corrupção eleitoral e associação criminosa nas eleições de 2026 em Roraima.
A nova ofensiva policial ocorre apenas uma semana após o próprio Jalser Renier ter sido preso em flagrante. Segundo os investigadores, há suspeitas de que o grupo planejava desembolsar R$ 4 milhões para comprar cerca de 12 mil votos no estado.
Por determinação da Justiça Eleitoral, os agentes cumpriram seis mandados de busca e apreensão em Boa Vista. Além das buscas, foram impostas medidas cautelares severas aos investigados, incluindo:
Proibição de contato entre os envolvidos;
Vedação para a realização de saques em dinheiro vivo;
Bloqueio de bens e valores de até R$ 4.228.100,00.
Desdobramento de apreensão anterior
De acordo com a Polícia Federal, a Operação Lemming é um desdobramento direto da prisão de Jalser ocorrida na semana passada. Na ocasião, a PF realizou buscas no escritório do candidato durante a Operação Filargíria, voltada à apuração de crimes de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
No local, os agentes apreenderam R$ 19 mil em espécie e planilhas com anotações que indicavam a captação ilícita de sufrágio (compra de votos), acompanhadas da sigla "BU". A análise do material revelou indícios da existência de uma estrutura organizada e voltada para a cooptação de eleitores.
Na ocasião da primeira prisão, a defesa do candidato argumentou que as planilhas contavam apenas com nomes de apoiadores remunerados e cabos eleitorais da campanha. Jalser chegou a passar uma noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), mas foi liberado após audiência de custódia.
Histórico e contexto político
Jalser Renier é uma figura influente na política roraimense, tendo atuado como deputado estadual por 27 anos. Em 2022, teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) por quebra de decoro parlamentar, sob a acusação de ser o mandante do sequestro e da tortura do jornalista Romano dos Anjos, em 2020. Ele é réu na Justiça Penal por sete crimes ligados ao caso.
Apesar de estar inelegível até 2030 devido à cassação, Jalser conseguiu obter uma liminar concedida pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto. A decisão suspendeu parcialmente os efeitos da perda do mandato, permitindo que ele registrasse sua candidatura para as eleições deste ano.
As investigações prosseguem sob sigilo para garantir a preservação de provas e evitar novas interferências no pleito.
Com informações apuradas pela Polícia Federal e Justiça Eleitoral.

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