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Militar do Exército desaparece em Roraima e caminhonete é localizada vandalizada em área de garimpo ilegal.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 11 de ago.
  • 3 min de leitura
Santiago Ramos de Paulo tem 23 anos e é cabo no Exército — Foto: Arquivo pessoal
Santiago Ramos de Paulo tem 23 anos e é cabo no Exército — Foto: Arquivo pessoal

Cabo Santiago Ramos de Paulo, de 23 anos, saiu de Boa Vista na última sexta-feira (7). Veículo foi encontrado abandonado na Terra Indígena Raposa Serra do Sol com sinais de depredação; família suspeita de emboscada por dívida.  


Um mistério mobiliza familiares e autoridades no Norte do país. O cabo do Exército Brasileiro Santiago Ramos de Paulo, de 23 anos, encontra-se desaparecido desde a última sexta-feira, 7 de agosto de 2026, após deixar a capital Boa Vista rumo ao interior de Roraima. O veículo utilizado pelo militar foi localizado abandonado e depredado no último domingo (9) na Comunidade Indígena Napoleão, no município de Normandia, região inserida na Terra Indígena Raposa Serra do Sol com histórico de exploração de garimpo ilegal.  


Ficha da Ocorrência

Resumo dos Fatos

Desaparecido:

Santiago Ramos de Paulo, 23 anos (Cabo do Exército Brasileiro)  

Último contato:

Sexta-feira, 07/08/2026 (saída de Boa Vista)  

Local do veículo:

Comunidade Napoleão, T.I. Raposa Serra do Sol (Normandia-RR)  

Veículo localizado:

Toyota Hilux alugada (vidros quebrados, sem placa, pneu furado, sem bateria)  

Registro Oficial:

Boletim de Ocorrência no 4º Distrito Policial de Boa Vista  


O Trajeto e a Descoberta do Veículo Depredado

De acordo com depoimento prestado pela irmã do militar, de 25 anos, ao registrar o Boletim de Ocorrência no 4º Distrito Policial em Boa Vista, Santiago informou que faria uma viagem rápida ao Norte do estado e retornaria no mesmo dia. No entanto, o cabo não voltou e perdeu contato com os familiares.  


Investigações preliminares apontam que o militar viajava a bordo de uma caminhonete Toyota Hilux. O automóvel havia sido locado na quarta-feira (5) em nome de um amigo do militar, sob o argumento de que o veículo pessoal de Santiago apresentava problemas mecânicos. O contrato previa a devolução para o sábado (8).  


No domingo (9), a locadora localizou o veículo na Comunidade Napoleão, dentro do território indígena Raposa Serra do Sol. Registros em vídeo enviados à família revelam a gravidade da situação: a caminhonete estava coberta de lama, sem placas de identificação, com os vidros dos passageiros quebrados, pneus furados e com peças retiradas, incluindo a bateria do motor.  


"Minha cabeça tá tão agoniada que eu só quero achar ele. O único problema é que eu quero poder encontrar meu filho, somente isso." Adriano da Silva de Paula, pai do militar desaparecido  


Suspeita de Emboscada e Cobrança de Dívida

Em entrevista concedida à imprensa local, o tio do jovem, Marco Antonio Barros, revelou a principal linha de suspeita mantida pelos parentes. Segundo ele, informações obtidas pela família dão conta de que o cabo teria se deslocado até a área de garimpo acompanhado de terceiros para cobrar valores pendentes referentes a uma negociação imobiliária ou de minério.  


"Ele tinha comprado, não sei se era terra ou ouro, e o rapaz que estava lá não tinha pagado ele. Então, me parece que ele foi lá tentar receber isso que eles compraram, e quando eles chegaram lá armaram uma emboscada para eles", afirmou o tio.  


Segundo a versão apurada pelos familiares, o grupo que acompanhava Santiago seria composto por cerca de 12 pessoas. Diante do ataque a tiros sofrido na região, os ocupantes teriam abandonado os veículos e fugido a pé pela vegetação densa para salvar as próprias vidas. Uma primeira caminhonete teria sido deixada no acostamento da estrada e a Hilux acabou sendo encontrada na comunidade pelo tuxaua local.  


Acompanhamento e Buscas na Região

Diante do impasse e da falta de sinal do paradeiro do militar, o pai de Santiago, Adriano da Silva de Paula, deslocou-se nesta terça-feira (11) diretamente para o município de Normandia para participar pessoalmente das buscas. Segundo a família, integrantes do Exército Brasileiro prestam apoio nas operações de busca na região.  


Silêncio Oficial

A reportagem do Portal Hermes Vissotto acompanha os desdobramentos do caso. Procuradas oficialmente para prestar esclarecimentos sobre as diligências investigativas e a mobilização das forças de segurança, nem a Polícia Civil de Roraima nem o Comando do Exército haviam emitido notas oficiais ou balanços até a publicação deste texto.  


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