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Entenda a operação que originou a prisão de Jalser Renier.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 59 minutos
3 min de leitura
Jalser Renier (PSDB) | Foto: ALE-RR.
Jalser Renier (PSDB) | Foto: ALE-RR.

BOA VISTA — A prisão em flagrante do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) e candidato a deputado estadual, Jalser Renier (PSDB), na última quinta-feira (24), é desdobramento de uma investigação profunda conduzida pela Polícia Federal (PF) contra esquemas de lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas em Roraima.   


A ação, denominada Operação Filargíria, acabou revelando indícios de crimes eleitorais durante o cumprimento de mandados judiciais.   


Entenda os principais pontos que motivaram a operação, o que foi apreendido e os desdobramentos jurídicos da prisão.


1. Origem da Operação Filargíria

A Operação Filargíria não nasceu diretamente de uma denúncia eleitoral, mas sim de investigações financeiras iniciadas pela Polícia Federal. O caso teve origem em outubro de 2025, quando um homem foi preso em flagrante portando R$ 305 mil em espécie.   


A partir dessa apreensão, os investigadores identificaram um esquema estruturado com movimentações financeiras suspeitas, uso de "contas de passagem" e entregas recorrentes de grandes quantias de dinheiro vivo a terceiros, com fortes indícios de que os valores seriam oriundos de cofres públicos.   


2. Cumprimento dos Mandados e Apreensões

Com base nas apurações, a PF obteve mandados de busca e apreensão expedidos para o endereço residencial e para o escritório do ex-parlamentar em Boa Vista. O cumprimento das ordens judiciais contou com o apoio do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) da Polícia Federal.   


Durante a busca no escritório do candidato, os agentes federais encontraram:

  • R$ 19 mil em dinheiro vivo;   

  • Aparelhos celulares;   

  • Anotações e planilhas detalhadas relativas à gestão de campanha e contratação de pessoal.   


Entre os documentos apreendidos, a perícia inicial identificou anotações acompanhadas da sigla "BU", elemento que levantou forte suspeita por parte dos investigadores sobre o uso do recurso para a prática de captação ilícita de sufrágio (compra de votos).   


3. De Fiança Arbitrada à Prisão sem Fiança

O desfecho do procedimento na sede da PF tomou rumos decisivos ao longo do dia:   

  1. Flagrante e Fiança Inicial: Inicialmente, o delegado responsável enquadrou o caso no crime de compra de votos e arbitrou fiança no valor de 100 salários mínimos (aproximadamente R$ 162,1 mil) para que o investigado pudesse responder em liberdade.   

  2. Mudança de Enquadramento: Após contestação do valor por parte da defesa, a autoridade policial reavaliou os elementos das planilhas e acrescentou a imputação do crime de associação criminosa ao inquérito.   

  3. Prisão Mantida: Como a legislação não admite fiança delegada para o crime de associação criminosa, a fiança anterior foi revogada. Jalser Renier permaneceu preso e foi encaminhado para audiência de custódia perante a Justiça. Durante o depoimento prestado à PF, ele optou por permanecer em silêncio.   


4. O que diz a Defesa

O advogado de defesa do candidato, Carlos Vila Real, sustentou que os valores e documentos apreendidos têm justificativa legal:   

  • Origem dos recursos: Afirmou que os R$ 19 mil em espécie são de origem lícita e se destinavam ao custeio de despesas pessoais do investigado.   

  • Planilhas de campanha: Argumentou que as anotações referem-se à organização interna da campanha e ao cadastramento de cabos eleitorais e prestadores de serviço, cujas contas e repasses serão regularmente declarados à Justiça Eleitoral na prestação de contas.   

  • Contestação Judicial: A defesa classificou a autuação em flagrante como precipitada e informou que aguarda a análise do juiz do plantão eleitoral e do Ministério Público Federal (MPF) para corrigir o que considera um equívoco da Polícia Federal.   


5. Histórico e Contexto Político

Jalser Renier exerceu o mandato de deputado estadual por 27 anos e presidiu a Casa Legislativa de Roraima. Teve o mandato cassado em 2022 por quebra de decoro parlamentar, após ser acusado de ser o mandante do sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos, caso em que responde como réu por sete crimes.   


Embora a cassação gerasse inelegibilidade, o ex-deputado obteve uma medida liminar no Supremo Tribunal Federal (STF), concedida pelo ministro Nunes Marques em agosto, autorizando sua participação no pleito eleitoral deste ano.   


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