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Entenda a Operação Auctoritas deflagrada envolvendo a Defensoria Pública do Estado de Roraima.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 2 horas
2 min de leitura
PF deflagra operação para investigar pressão a servidores da Defensoria Pública de Roraima por apoio a candidatos — Foto: DPE-RR/Divulgação/Arquivo
PF deflagra operação para investigar pressão a servidores da Defensoria Pública de Roraima por apoio a candidatos — Foto: DPE-RR/Divulgação/Arquivo

A investigação da Polícia Federal aponta o uso da estrutura da DPE-RR para assédio eleitoral a servidores comissionados, cobrança de metas de público e esquema de compra de votos.   


BOA VISTA - A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Auctoritas com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que utilizava a estrutura da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) para promover assédio eleitoral, coação de servidores públicos e compra de votos.   


Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Boa Vista e Rorainópolis, no Sul do estado. A apuração aponta que o esquema atuava para favorecer dois projetos políticos nas eleições estaduais: um candidato a deputado estadual e um candidato à reeleição para deputado federal.   


As três frentes de atuação do esquema

Coordenador da DPE-RR define metas de convidados e cobra justificativa a outros servidores para reunião política. — Foto: Reprodução
Coordenador da DPE-RR define metas de convidados e cobra justificativa a outros servidores para reunião política. — Foto: Reprodução

De acordo com as apurações da Polícia Federal, a engrenagem mantida no órgão funcionava dividida em três frentes principais de atuação:   

  1. Assédio e Pressão Financeira: Servidores ocupantes de cargos comissionados na DPE-RR eram obrigados a devolver R$ 1.000,00 de seus salários mensais. Além do repasse em dinheiro, os funcionários também precisavam entregar duas cestas básicas para auxiliar no financiamento e logística das campanhas políticas.   


Coordenador da DPE-RR cobra lista de convidados de servidores e funcionários para reunião política. — Foto: Reprodução
Coordenador da DPE-RR cobra lista de convidados de servidores e funcionários para reunião política. — Foto: Reprodução
  1. Cobrança de Metas via WhatsApp: A coordenação do esquema utilizava grupos de mensagens para exigir a presença diária de servidores e seus convidados em reuniões eleitorais. A meta estipulada era de pelo menos 100 pessoas por evento. Os funcionários que não comparecessem eram constrangidos a apresentar justificativa individual diretamente aos chefes em mensagens privadas.   

  2. Compra Direta de Votos: Nas ruas da capital e em municípios do interior, eleitores eram abordados para entregar cópias de documentos pessoais sob a promessa de pagamento de R$ 1.000,00 por familiar, além do oferecimento de suprimentos e bens domésticos.   


Os investigados e suas funções

A Justiça Federal autorizou mandados de busca e apreensão contra três alvos apontados como os executores e organizadores do esquema:   

  • Celton Ramos dos Santos: Coordenador de comunicação da DPE-RR, responsável pelo monitoramento dos servidores nos grupos de mensagens, fixação de metas de público e cobrança de presença em reuniões políticas.   

  • Manoel Filho de Sousa Borer: Atuava na abordagem direta a eleitores em vias públicas e no interior do estado, recolhendo documentações sob promessa de vantagens financeiras.   

  • Ana Katia Magalhães de Souza: Assessora especial na DPE-RR, apontada como a responsável por receber as cópias de documentos recolhidas no interior e prosseguir com as negociações presenciais em Boa Vista.   

Os alvos são investigados pelos crimes de coação eleitoral, corrupção eleitoral (compra de votos), ameaça e associação criminosa.   


Posicionamento da Defensoria Pública

Em nota oficial encaminhada à imprensa, a Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) informou que desconhece os fatos investigados e ressaltou que a direção do órgão não recebeu qualquer denúncia formal sobre a conduta dos servidores citados. A instituição reafirmou estar à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos e colaborar integralmente com o andamento das investigações.   


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