Entenda a Operação Auctoritas deflagrada envolvendo a Defensoria Pública do Estado de Roraima.


A investigação da Polícia Federal aponta o uso da estrutura da DPE-RR para assédio eleitoral a servidores comissionados, cobrança de metas de público e esquema de compra de votos.
BOA VISTA - A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Auctoritas com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que utilizava a estrutura da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) para promover assédio eleitoral, coação de servidores públicos e compra de votos.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Boa Vista e Rorainópolis, no Sul do estado. A apuração aponta que o esquema atuava para favorecer dois projetos políticos nas eleições estaduais: um candidato a deputado estadual e um candidato à reeleição para deputado federal.
As três frentes de atuação do esquema

De acordo com as apurações da Polícia Federal, a engrenagem mantida no órgão funcionava dividida em três frentes principais de atuação:
Assédio e Pressão Financeira: Servidores ocupantes de cargos comissionados na DPE-RR eram obrigados a devolver R$ 1.000,00 de seus salários mensais. Além do repasse em dinheiro, os funcionários também precisavam entregar duas cestas básicas para auxiliar no financiamento e logística das campanhas políticas.

Cobrança de Metas via WhatsApp: A coordenação do esquema utilizava grupos de mensagens para exigir a presença diária de servidores e seus convidados em reuniões eleitorais. A meta estipulada era de pelo menos 100 pessoas por evento. Os funcionários que não comparecessem eram constrangidos a apresentar justificativa individual diretamente aos chefes em mensagens privadas.
Compra Direta de Votos: Nas ruas da capital e em municípios do interior, eleitores eram abordados para entregar cópias de documentos pessoais sob a promessa de pagamento de R$ 1.000,00 por familiar, além do oferecimento de suprimentos e bens domésticos.
Os investigados e suas funções
A Justiça Federal autorizou mandados de busca e apreensão contra três alvos apontados como os executores e organizadores do esquema:
Celton Ramos dos Santos: Coordenador de comunicação da DPE-RR, responsável pelo monitoramento dos servidores nos grupos de mensagens, fixação de metas de público e cobrança de presença em reuniões políticas.
Manoel Filho de Sousa Borer: Atuava na abordagem direta a eleitores em vias públicas e no interior do estado, recolhendo documentações sob promessa de vantagens financeiras.
Ana Katia Magalhães de Souza: Assessora especial na DPE-RR, apontada como a responsável por receber as cópias de documentos recolhidas no interior e prosseguir com as negociações presenciais em Boa Vista.
Os alvos são investigados pelos crimes de coação eleitoral, corrupção eleitoral (compra de votos), ameaça e associação criminosa.
Posicionamento da Defensoria Pública
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) informou que desconhece os fatos investigados e ressaltou que a direção do órgão não recebeu qualquer denúncia formal sobre a conduta dos servidores citados. A instituição reafirmou estar à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos e colaborar integralmente com o andamento das investigações.

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