“Devemos nos preparar para o pior”, alerta Celso Amorim sobre escalada militar entre Irã, EUA e Israel.
- Hermes Vissotto

- há 1 dia
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Em declarações que ecoaram nos principais centros diplomáticos, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, demonstrou profunda preocupação com a gravidade dos recentes ataques no Oriente Médio. Ao analisar a retaliação iraniana após a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel, Amorim foi categórico: “Devemos nos preparar para o pior”.
A frase reflete o temor de que o conflito, que já resultou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, saia do controle regional e se transforme em uma guerra de proporções globais.
O Estopim da Crise
A tensão atingiu o ponto de ruptura no último sábado (28 de fevereiro), quando uma operação aérea massiva liderada pelo governo de Donald Trump e pelas forças de defesa de Israel atingiu alvos estratégicos em território iraniano. O objetivo declarado era neutralizar o programa nuclear de Teerã, mas o desfecho foi a morte de membros do alto escalão do regime, incluindo o chefe do Estado-Maior e o ministro da Defesa.
Em resposta, o Irã lançou uma saraivada de mísseis e drones contra bases americanas e cidades israelenses, além de anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o fornecimento de petróleo no mundo.
A Visão da Diplomacia Brasileira
Para Celso Amorim, o assassinato de líderes em exercício é um precedente perigoso para o direito internacional. "Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável", afirmou o embaixador em entrevista, destacando o potencial de alastramento do conflito através de grupos aliados ao Irã no Líbano, Iraque e Iêmen.
O governo brasileiro, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, busca agora um equilíbrio delicado. O Brasil manifestou solidariedade aos países impactados pelos mísseis iranianos, mas também criticou a agressividade da ofensiva inicial.
Impactos na Agenda Internacional
A crise coloca em xeque a visita oficial de Lula a Washington, prevista para ocorrer entre os dias 15 e 17 de março. O encontro com Trump seria um marco para a relação bilateral, mas o Itamaraty agora avalia se o clima de guerra permitirá a manutenção da agenda.
"O aumento vertiginoso das tensões exige destreza. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade é o nosso maior desafio", concluiu Amorim.
O mercado financeiro já sente os reflexos, com a alta no preço dos combustíveis e a instabilidade nas bolsas. Se o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado, o impacto na economia brasileira pode ser severo, afetando desde a inflação até os custos de logística para o agronegócio.
O Portal Hermes Vissotto continuará acompanhando os desdobramentos deste conflito que redesenha as fronteiras do poder no século XXI.

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