DESCASO: Pais denunciam que estrutura deteriorada de escola indígena coloca em perigo alunos e professores no Sul de Roraima.
- Hermes Vissotto

- 22 de mai.
- 3 min de leitura

Moradores da comunidade do Jatapuzinho, em Caroebe, relatam goteiras, infestação de morcegos e falta crônica de material didático na Escola Estadual Indígena Wai Wai.
CAROEBE — Na comunidade indígena do Jatapuzinho, localizada no município de Caroebe, ao Sul do estado, a realidade da Escola Estadual Indígena Wai Wai tem gerado profunda preocupação e indignação entre moradores, alunos e lideranças locais. Com cerca de 85 estudantes matriculados, a unidade atende desde o ensino fundamental até o ensino médio, recebendo crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos em uma estrutura física que ameaça a saúde e a segurança da comunidade escolar.
Segundo o presidente da Associação do Povo Indígena Wai Wai (APIW), Anarcindo Wai Wai, de 35 anos, a escola enfrenta problemas estruturais graves há mais de uma década. Construída no ano 2000, a unidade apresenta sinais avançados de deterioração que comprometem diretamente o ambiente de aprendizagem.
“Na época de chuva, os alunos precisam procurar um canto para sentar, porque chove muito dentro da sala”, relata Anarcindo.
Risco à saúde pública
Além do telhado comprometido e das constantes infiltrações, a presença massiva de morcegos no local tornou-se um dos problemas mais urgentes. O acúmulo de dejetos tem gerado um forte odor nas salas de aula e acendido o alerta para o risco de contaminação e proliferação de doenças entre estudantes e o corpo docente.
Um dos episódios mais alarmantes citados pela liderança envolve uma ex-aluna que teria adoecido gravemente após exposição às fezes dos animais. "Ela perdeu a visão e até hoje enfrenta muitas dificuldades", afirma o presidente da associação. Apesar do relato e da gravidade do caso, não foram apresentados laudos oficiais que comprovem o nexo causal entre a doença e as condições do prédio.
Falta de apoio e material escolar
A precariedade da instituição vai além das paredes e do teto danificados. De acordo com os relatos, a falta de insumos básicos é uma constante. Anarcindo Wai Wai aponta que, desde o período em que era estudante da instituição, em 2010, nunca houve o envio regular de materiais escolares por parte do poder público. Atualmente, para garantir que os filhos continuem estudando, os próprios pais precisam arcar integralmente com os custos de cadernos, lápis e demais itens didáticos.
A comunidade afirma que a busca por socorro junto às autoridades educacionais se arrasta por anos, colecionando promessas não cumpridas. "O governo anterior prometeu reformar a escola, mas não fez nada. Até hoje, nenhuma solução foi apresentada", lamenta a liderança da APIW. Representantes políticos e equipes técnicas já visitaram o local, a última agenda mencionada ocorreu em 2023, durante uma assembleia com organizações indígenas, mas nenhum avanço prático foi registrado desde então.
O sentimento que predomina na comunidade do Jatapuzinho é de abandono. “Fico muito triste em ver alunos e professores frequentando um espaço tão precário. E ainda mais com o risco de novas doenças. Já pensou se outro aluno for infectado?”, questiona Anarcindo.
📊 Panorama da Escola Estadual Indígena Wai Wai
Indicador | Detalhes da Denúncia |
Localização | Comunidade Jatapuzinho, Caroebe (Sul de Roraima) |
População Escolar | ~85 alunos (Ensino Fundamental ao Médio) |
Faixa Etária | Crianças e jovens de 6 a 18 anos |
Histórico Crítico | Problemas estruturais acumulados desde 2010 |
Principais Riscos | Infiltrações severas e infestação de morcegos |
Sem Resposta
Até o momento a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (SEED) não se manifestou. O espaço segue aberto para o posicionamento oficial do Governo do Estado.

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