Datafolha 2026: Lula lidera no centro, mas rejeição de Flávio Bolsonaro e vácuo da "Terceira Via" equilibram o jogo.
- Hermes Vissotto

- há 2 dias
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O cenário para a sucessão presidencial de 2026 começa a ganhar contornos nítidos, e o fiel da balança, como de costume, atende pelo nome de "Centro". Nova pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 3 e 5 de março, revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva detém uma vantagem estratégica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) entre os eleitores que não se identificam com os polos extremos da política brasileira.
Contudo, o levantamento traz alertas acentuados para ambos os lados: a rejeição segue alta e o estreitamento das margens em um eventual segundo turno aponta para uma eleição decidida no detalhe e na fadiga do eleitorado.
Utilizando uma escala de 1 (extrema esquerda) a 7 (extrema direita), o Datafolha identificou que 17% dos brasileiros se posicionam exatamente no ponto 4, o centro. É neste segmento que Lula abre sua maior distância:
Segundo Turno: A Polarização que Não Cede
Se no primeiro turno a vantagem de Lula parece confortável entre os moderados, o cenário de segundo turno acende o sinal amarelo no Palácio do Planalto. Entre os eleitores de centro, a distância cai para 9 pontos (41% a 32%).
O dado mais impressionante, no entanto, é o desinteresse: 24% desses eleitores afirmam que votariam em branco ou nulo caso a disputa final seja entre o atual presidente e o filho "01" de Jair Bolsonaro. No cenário geral (toda a população), o equilíbrio é quase absoluto: 46% para Lula contra 43% para Flávio.
Retratos de um Brasil Dividido
O Datafolha também atualizou o perfil sociodemográfico das bases de apoio, que permanecem cristalizadas:
O Bolsonarismo Raiz: Majoritariamente homem, branco, evangélico e residente nas regiões Sul, Centro-Oeste ou Norte.
O Petismo Raiz: Majoritariamente mulher, acima de 60 anos, com ensino fundamental, renda de até dois salários mínimos e residente no Nordeste.
O levantamento indica que, embora Lula tenha a máquina na mão e uma vantagem numérica inicial, ele enfrenta um teto de vidro alto no centro. Por outro lado, Flávio Bolsonaro prova ter herdado o capital político do pai, mas carrega uma rejeição que hoje ultrapassa os 50% entre os moderados, o que historicamente dificulta vitórias em segundos turnos.
A grande questão para os próximos meses é: para onde irão os órfãos de Ratinho Junior e quem conseguirá falar com os 24% que, por ora, preferem anular o voto a escolher entre o 13 e o 22?

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