Damares Alves deixa plano de governo de Flávio Bolsonaro após ser alvo de ataques da direita.
- Hermes Vissotto

- há 2 dias
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A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu deixar oficialmente a equipe responsável por formular o plano de governo do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O anúncio consolida uma importante baixa na organização da campanha presidencial, ocorrendo poucos dias após a parlamentar denunciar ter sido alvo de uma série de ataques virtuais e agressões promovidas pela própria militância direitista.
Convidada em junho para liderar as discussões e propor diretrizes ligadas aos direitos humanos, infância, assistência social e proteção das mulheres no programa de Flávio, Damares confirmou a interrupção da sua colaboração direta. Em entrevista, a ex-ministra foi categórica ao apontar os motivos do recuo político: "Fui atacada diretamente pelo time da direita".
Escala de violência política e ameaças à família
Os ataques contra a senadora ganharam contornos severos e extrapolaram a barreira das divergências políticas habituais. Recentemente, Damares veio a público revelar que passou a ser vítima de violência política de gênero severa nas redes sociais, com ameaças explícitas direcionadas à sua vida pessoal e familiar.
Em um forte desabafo, ela relatou que extremistas virtuais simularam imagens de violência contra a sua filha de origem indígena. "Esta semana eu tenho sido vítima dos mais terríveis ataques. Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha. E eles simulam imagens que estão empalando a minha filha, que estão decapitando ela. É uma violência política que a gente não consegue imaginar", declarou a parlamentar na ocasião. Devido à gravidade do episódio, a bancada feminina do Senado Federal começou a articular a adoção de medidas institucionais automáticas contra crimes de violência política contra a mulher.
Reflexo do racha entre Flávio e Michelle Bolsonaro
A debandada de Damares acontece em meio à forte turbulência interna que atinge o núcleo familiar e político dos Bolsonaro. A crisis escalou após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusar publicamente o enteado, Flávio, de tê-la humilhado e desrespeitado, o que levou Michelle a se afastar da presidência nacional do PL Mulher e faltar a reuniões estratégicas da pré-campanha voltadas ao eleitorado feminino. Damares, que possui estreita ligação com a ex-primeira-dama, também se ausentou dessas agendas coletivas.
Questionada se o pré-candidato à Presidência teria entrado em contato para prestar solidariedade ou tentar reverter o seu afastamento da equipe, a senadora revelou que o canal de comunicação foi interrompido. "Ele não me procurou novamente. Ele está correndo", minimizou a parlamentar ao comentar sobre o distanciamento de Flávio Bolsonaro.
Impacto na campanha e posicionamento político
Apesar da saída da coordenação de formulação de propostas, Damares evitou caracterizar o movimento como um rompimento eleitoral definitivo com Flávio Bolsonaro. A senadora pontuou que concluiu o que era planejado para a fase inicial. "Já fiz o que era preciso no primeiro momento. Depois a gente volta a ajudar no governo de transição", explicou. Ela também não anunciou migração para outra pré-candidatura ou desfiliação de seu partido.
O recuo, no entanto, impõe barreiras administrativas e políticas significativas para os articuladores de Flávio Bolsonaro. O senador havia recorrido a Damares prioritariamente pela forte penetração e interlocução que ela exerce junto ao eleitorado evangélico e de mulheres conservadoras.

Com o afastamento simultâneo de Michelle Bolsonaro e de Damares Alves das frentes de mobilização, a coordenação do núcleo de propostas para mulheres (projeto "Brasil Por Elas") segue concentrada sob o comando exclusivo da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques. A equipe de campanha agora corre contra o tempo para preencher a lacuna na área de direitos humanos e estancar o avanço de crises internas antes que elas prejudiquem a consolidação dos palanques estaduais visando as eleições de 2026.

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