Crise na Direita: PP e União Brasil recuam de apoio a Flávio Bolsonaro para o Planalto.
- Hermes Vissotto

- há 3 dias
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A federação "União Progressista", composta por União Brasil e Progressistas (PP), decidiu recuar e não deve apoiar formalmente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Sem uma aliança nacional consolidada, a tendência agora é que a cúpula libere os diretórios estaduais, dando autonomia para que cada região defina seus apoios de forma independente.
O esvaziamento do bloco de apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é resultado de uma combinação de atritos individuais com caciques partidários e de uma forte pressão regional, especialmente do Nordeste.
Os bastidores do desembarque: Silêncio de Flávio gerou desgaste
O descontentamento dentro da federação vinha se desenhando há meses e se agravou após dois episódios em que dirigentes partidários se viram isolados politicamente:
O fator Ciro Nogueira: O presidente do PP já demonstrava forte insatisfação desde maio, quando foi alvo de uma investigação da Polícia Federal ligada ao Banco Master. Nogueira esperava uma forte e pública defesa por parte de Flávio Bolsonaro, o que nunca aconteceu. O desgaste azedou os planos da sigla, antes do atrito, a hipótese de Ciro Nogueira compor a chapa como vice de Flávio era fortemente considerada.
A prisão em Belford Roxo: Nesta semana, o estopim atingiu o União Brasil. O presidente da legenda, Antonio Rueda, irritou-se com o silêncio de Flávio após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União). Canella, que é aliado do senador e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, foi detido na Operação Unha e Carne depois que um fuzil foi encontrado em seu carro. A cúpula do União esperava um gesto público de solidariedade do pré-candidato à Presidência, que optou por não se manifestar.
Além dos episódios policiais, a ala nordestina da federação pressionava intensamente pela neutralidade. Deputados federais argumentam que carimbar formalmente o apoio a Flávio Bolsonaro prejudicaria palanques e candidaturas locais em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém expressivo capital eleitoral.
Exceção em São Paulo: Aliança mantida pelo Senado
Se no plano nacional o cenário é de distanciamento, em São Paulo o Progressistas adotará uma estratégia diferente e caminhará ao lado de Flávio Bolsonaro.
O PP paulista enxerga no senador um cabo eleitoral estratégico para impulsionar a pré-candidatura de Guilherme Derrite, atual secretário estadual de Segurança Pública, ao Senado. Como a outra vaga na chapa bolsonarista deve ter as atenções divididas com André do Prado (PL), que conta com o forte apoio do governador Tarcísio de Freitas, os dirigentes do PP cobram que Flávio concentre seus esforços e sua militância na campanha de Derrite.
A disputa pelas duas cadeiras paulistas no Senado promete ser acirrada. Dados da última pesquisa Datafolha revelam um cenário de forte equilíbrio:
Pré-candidato(a) | Partido | Intenção de Voto |
Simone Tebet | MDB | 18% |
Marina Silva | PSB | 16% |
Ricardo Salles | Novo | 13% |
André do Prado | PL | 11% |
Guilherme Derrite | PP | 10% |
Nota: Simone Tebet, Marina Silva e Ricardo Salles aparecem em situação de empate técnico dentro da margem de erro.
Bolsonaro tenta pacificar frentes e assume liderança
Tentando estancar as crises que cercam o filho, o ex-presidente Jair Bolsonaro entrou em campo de forma direta. Em uma carta enviada a aliados, Bolsonaro blindou a autoridade do primogênito, declarando formalmente que Flávio é o seu "porta-voz" oficial.
No documento, o ex-presidente faz um apelo para que o campo conservador "deixe de lado as diferenças". O movimento é visto como uma tentativa clara de neutralizar os ruídos e pacificar a ala política após os recentes embates públicos e trocas de acusações na internet entre Flávio e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

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