Último foragido se entrega e Polícia Civil conclui fase de campo de investigação de roubo milionário em Boa Vista.
- Hermes Vissotto

- há 13 horas
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Silvan André Santos da Silva, de 29 anos, apresentou-se espontaneamente na sede da Draco; esquema envolveu policiais civis de Roraima e do Amazonas, empresário influenciador e familiares.
BOA VISTA – A Polícia Civil de Roraima encerrou, nesta quarta-feira (26), a etapa de trabalhos de campo da investigação sobre o megaassalto que resultou no roubo de 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em espécie no bairro Caçari, zona Leste de Boa Vista. O último alvo da operação que permanecia foragido, Silvan André Santos da Silva, de 29 anos, entregou-se espontaneamente na sede da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), localizada no Centro da capital, onde teve o mandado de prisão preventiva cumprido.
Com a apresentação de Silvan, todos os oito investigados identificados pelas autoridades policiais, pela Draco e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de Roraima já estão sob custódia ou devidamente autuados.
Quem são os oito investigados no esquema:
Ivan Luiz Bastos Guimarães – Empresário e influenciador digital (apontado como articulador e "falso alvo" da invasão);
John Allan Cunha Castilho – Delegado da Polícia Civil do Estado do Amazonas;
Diego Gabriel Rodrigues de Araújo – Investigador da Polícia Civil do Estado do Amazonas;
Marcelo Henrique de Araújo Sobral – Investigador da Polícia Civil do Estado de Roraima;
Ariane Cabral Paes – Esposa do investigador Marcelo Sobral;
Rayana Cabral Paes – Cunhada do investigador Marcelo Sobral;
Guilherme Santana da Silva – Cunhado do investigador Marcelo Sobral;
Silvan André Santos da Silva – Investigado por dar suporte à organização e participar de ações similares.
Relembre a dinâmica do crime
O crime ocorreu no dia 29 de março deste ano. Na ocasião, um grupo armado invadiu a residência do influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, simulando uma operação policial oficial. O grupo fugiu do local carregando 30 kg de ouro e R$ 800 mil em moeda nacional.
As apurações conduzidas pela Corregedoria-Geral de Polícia (Corregepol) e pela Draco revelaram que o assalto contou com o conhecimento prévio e a anuência de Ivan Luiz. O crime foi planejado e executado com o suporte de policiais civis de Roraima e do Amazonas. Viaturas descaracterizadas e distintivos oficiais foram utilizados para enganar as vítimas e dar aparência legítima à ação. Familiares dos agentes também auxiliaram no planejamento e na divisão do montante roubado.
O papel de Silvan e a ação em Alto Alegre
Embora a polícia não tenha apontado a presença física de Silvan na invasão do bairro Caçari, o nome dele passou a circular entre os envolvidos após câmeras de segurança registrarem um homem mascarado na vizinhança.
O Ministério Público destacou, porém, que Silvan teve participação direta em outro assalto similar ocorrido em janeiro, na Vila Samaúma, município de Alto Alegre. Naquela ocasião, Silvan e o investigador Marcelo Sobral simularam uma abordagem policial a uma caminhonete que transportava valores e ouro, vestindo coletes e utilizando armas e identificação da Polícia Civil.
Apesar de um boletim de ocorrência posterior assinado por Sobral ter omitido a presença de Silvan, mensagens interceptadas pela Justiça comprovaram que Silvan recebeu R$ 30 mil pelo apoio no crime de Alto Alegre. A gravidade desse episódio fundamentou o pedido de prisão preventiva apresentado pelo MP e acatado pelo Judiciário.
Prisões e bloqueio de bens

A primeira fase da operação foi deflagrada em 21 de agosto, culminando na prisão de quatro suspeitos em Roraima e um em Santa Catarina. Nesta quarta-feira (26), antes da rendição de Silvan, o delegado John Allan Cunha Castilho e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo foram presos na cidade de Manaus (AM) em uma ação conjunta com a Polícia Federal.
De acordo com o titular da Draco, delegado Hugo Cardias, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões em bens e valores vinculados aos integrantes do grupo.
Com a conclusão dos trabalhos de campo, a Polícia Civil agora finaliza o inquérito policial para encaminhamento formal à Justiça.
O que dizem as defesas
Defesa do delegado John Castilho: Declarou ter sido surpreendida pela decretação da prisão preventiva ocorrida em 25 de agosto, negou qualquer participação do cliente nos fatos e ressaltou que o delegado é servidor concursado e sem antecedentes criminais.
Defesa de Ivan Luiz Bastos Guimarães: Afirmou que não existem, até o momento, provas nos autos que comprovem que o influenciador planejou ou participou do roubo. A defesa enfatizou o direito à presunção de inocência e reiterou que demonstrará ao longo do processo que Ivan foi vítima do crime.
Defesa dos demais citados: O espaço segue aberto para manifestação.

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