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Roraima em Alerta: Chuvas Isolam Municípios, Destroem Infraestrutura e Mobilizam 500 Bombeiros em Força-Tarefa Emergencial.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Pessoas isoladas em comunidade indígena no Uiramutã, em Roraima — Foto: Divulgação
Pessoas isoladas em comunidade indígena no Uiramutã, em Roraima — Foto: Divulgação

BOA VISTA — O Governo de Roraima instalou um gabinete de crise e decretou medidas de extrema urgência nesta quinta-feira (28) para conter os severos impactos causados pelas fortes chuvas que assolam o estado. O cenário é crítico: o volume de precipitação acumulado até o dia 26 de maio atingiu 315 milímetros, o que representa mais de 90% de toda a média histórica prevista para o mês.


Com o solo completamente encharcado e o transbordamento generalizado de rios e igarapés, pelo menos 10 dos 15 municípios roraimenses enfrentam isolamento de populações, destruição de estradas e pontes, além do comprometimento do abastecimento de água potável e da produção agrícola.


Uiramutã e Bonfim Têm Metade da População Isolada

A situação mais alarmante concentra-se no interior. Em Uiramutã, o município mais indígena do Brasil, localizado ao Norte do estado, pelo menos três rios (incluindo o Maú e o Wailã) e um igarapé transbordaram. O desastre cortou o acesso terrestre de 56,1% da população, cerca de 8,7 mil das 15,5 mil pessoas estimadas pelo IBGE para 2025. O transporte na região passou a ser feito exclusivamente por barcos.


Segundo o chefe da Defesa Civil municipal, Julimar Sena, comunidades inteiras como o Polo Ingaricó e a região do Manalai estão totalmente isoladas. A própria pista de pouso local foi inundada, impedindo o recebimento de aeronaves convencionais. Sem poços artesianos ou água encanada em pelo menos 16 comunidades atingidas, a água barrenta dos rios tornou-se imprópria para o consumo, gerando uma crise de desabastecimento. A Secretaria Municipal de Obras estima um prejuízo inicial de R$ 200 mil em infraestrutura.


O município de Bonfim enfrenta um drama equivalente. Também sob decreto de situação de emergência, a cidade viu metade de sua população ficar isolada após a força das águas destruir pontes e estradas vicinais, impactando diretamente produtores rurais, moradores de áreas periféricas e comunidades indígenas.



Resposta do Estado: Férias Suspensas e Envio de Insumos


Diante da escalada da crise, o governador interino, Soldado Sampaio, determinou a suspensão imediata das férias dos militares do Corpo de Bombeiros. Uma força-tarefa de 500 agentes foi mobilizada para atuar diretamente nas ações de socorro, resgate e baldeação de moradores em pontos de difícil acesso. Por conta da gravidade da situação, o governador também cancelou sua agenda de campanha eleitoral para a eleição suplementar.

O plano de contingência estadual abrange quatro frentes principais:

  1. Saneamento Emergencial: Distribuição de 1.000 filtros de água por meio da Secretaria dos Povos Indígenas para combater a contaminação de mananciais nas comunidades afetadas.

  2. Apoio Humanitário: Envio de cestas básicas para os desalojados e isolados, seguindo os diagnósticos de campo da Defesa Civil.

  3. Reforço na Saúde: Abastecimento emergencial de insumos hospitalares e ampliação das equipes médicas nas unidades de saúde do interior.

  4. Logística de Resgate: Ampliação do uso de embarcações e suporte logístico dos Bombeiros nas travessias críticas de rodovias rompidas.


O comandante-geral dos Bombeiros, coronel Anderson Matos, ressaltou que, embora as equipes mantenham o cenário sob controle técnico, o monitoramento é ininterrupto. A principal preocupação das autoridades reside na continuidade das chuvas sobre um solo que já atingiu o seu limite de saturação hídrica, elevando o risco de novos colapsos estruturais nas próximas horas.


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