Otimismo e o Alívio na Curva de Juros.
- Hermes Vissotto

- 2 de jan.
- 3 min de leitura

O primeiro pregão do ano é o termômetro das expectativas, e hoje o mercado financeiro brasileiro enviou um sinal claro de alívio. Após um período de taxas de juros nas alturas, o que vimos foi um fechamento expressivo na curva de juros futura e uma queda generalizada nas taxas do Tesouro Direto.Juntos vamos desvendar os mecanismos por trás desses números.
O movimento de hoje foi guiado por um fenômeno que chamamos de risk-on. Quando investidores globais sentem que o cenário está mais seguro, eles retiram capital de ativos "refúgio" (como o dólar e títulos americanos) e buscam rentabilidade em mercados emergentes como o Brasil.
Com as bolsas europeias em alta e os rendimentos das Treasuries (os títulos públicos dos EUA) recuando, o real ganhou força. O dólar, recuando para a casa dos R$ 5,43, atua como um descompressor da inflação, permitindo que os juros futuros também caiam.
Para quem investe no Tesouro Direto, a sessão de hoje foi marcada por uma valorização patrimonial via marcação a mercado. Quando as taxas oferecidas pelo governo caem, os títulos que você já possui em carteira (comprados com taxas maiores) tornam-se mais valiosos.
Prefixados: Títulos que antes ofereciam taxas próximas a 13% viram uma queda consistente. Isso reflete a crença de que a Selic, hoje em 15%, começará a cair em breve.
Tesouro IPCA+: Este título é o "queridinho" de quem busca proteção. Com a queda das taxas reais, o investidor ganha no preço do título, mantendo a proteção contra a inflação.
A Selic e o Relatório Focus
Por que os juros caem se a Selic ainda está alta? O mercado financeiro trabalha com antecipação. O mais recente Relatório Focus aponta que a Selic deve encerrar 2026 em 12,25%.
Os investidores estão "comprando" a ideia de que o Banco Central terá espaço para cortar os juros já no primeiro trimestre deste ano. Esse otimismo é alimentado por uma inflação que, embora persistente, começa a mostrar sinais de ancoragem próximos à meta de 4,05% para o fim do ano.
Tabela: Resumo do Cenário Econômico (Jan/2026)
Ativo / Indicador | Tendência Atual | Impacto no Investidor |
Dólar | Queda (R$ 5,43) | Reduz pressão inflacionária e custos de importação. |
Ibovespa | Alta (+160 mil pts) | Valorização de empresas de varejo e construção. |
Taxas do Tesouro | Queda Forte | Valorização dos títulos antigos (Marcação a Mercado). |
Selic (Projeção) | 12,25% (Dez/26) | Tendência de migração da Renda Fixa para a Variável. |
Embora o início do ano seja animador, o investidor experiente mantém os olhos no fisco. 2026 é um ano eleitoral, o que naturalmente traz ruído político. Além disso, a implementação da Reforma Tributária entra em fase de teste este mês, com o novo IVA Dual começando a ser operado de forma simbólica.
A lição deste 2 de janeiro é: o mercado está dando um voto de confiança à economia brasileira.
Para o leitor do Hermes Vissotto, o momento é de equilíbrio. A queda nas taxas do Tesouro sinaliza que a janela para travar rentabilidades de dois dígitos na renda fixa pode estar começando a se fechar. Simultaneamente, a Bolsa de Valores começa a ficar atrativa para quem busca capturar o ciclo de alta que geralmente acompanha a queda dos juros.

FAÇA PARTE DA NOSSA COMUNIDADE:
Youtube
Site
X/Twitter







Comentários