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Otimismo e o Alívio na Curva de Juros.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 2 de jan.
  • 3 min de leitura
Bolsa abre 2026 em alta (Foto: Miguel Schincariol / AFP)
Bolsa abre 2026 em alta (Foto: Miguel Schincariol / AFP)

O primeiro pregão do ano é o termômetro das expectativas, e hoje o mercado financeiro brasileiro enviou um sinal claro de alívio. Após um período de taxas de juros nas alturas, o que vimos foi um fechamento expressivo na curva de juros futura e uma queda generalizada nas taxas do Tesouro Direto.Juntos vamos desvendar os mecanismos por trás desses números.


O movimento de hoje foi guiado por um fenômeno que chamamos de risk-on. Quando investidores globais sentem que o cenário está mais seguro, eles retiram capital de ativos "refúgio" (como o dólar e títulos americanos) e buscam rentabilidade em mercados emergentes como o Brasil.


Com as bolsas europeias em alta e os rendimentos das Treasuries (os títulos públicos dos EUA) recuando, o real ganhou força. O dólar, recuando para a casa dos R$ 5,43, atua como um descompressor da inflação, permitindo que os juros futuros também caiam.


Para quem investe no Tesouro Direto, a sessão de hoje foi marcada por uma valorização patrimonial via marcação a mercado. Quando as taxas oferecidas pelo governo caem, os títulos que você já possui em carteira (comprados com taxas maiores) tornam-se mais valiosos.

  • Prefixados: Títulos que antes ofereciam taxas próximas a 13% viram uma queda consistente. Isso reflete a crença de que a Selic, hoje em 15%, começará a cair em breve.

  • Tesouro IPCA+: Este título é o "queridinho" de quem busca proteção. Com a queda das taxas reais, o investidor ganha no preço do título, mantendo a proteção contra a inflação.


A Selic e o Relatório Focus

Por que os juros caem se a Selic ainda está alta? O mercado financeiro trabalha com antecipação. O mais recente Relatório Focus aponta que a Selic deve encerrar 2026 em 12,25%.


Os investidores estão "comprando" a ideia de que o Banco Central terá espaço para cortar os juros já no primeiro trimestre deste ano. Esse otimismo é alimentado por uma inflação que, embora persistente, começa a mostrar sinais de ancoragem próximos à meta de 4,05% para o fim do ano.


Tabela: Resumo do Cenário Econômico (Jan/2026)

Ativo / Indicador

Tendência Atual

Impacto no Investidor

Dólar

Queda (R$ 5,43)

Reduz pressão inflacionária e custos de importação.

Ibovespa

Alta (+160 mil pts)

Valorização de empresas de varejo e construção.

Taxas do Tesouro

Queda Forte

Valorização dos títulos antigos (Marcação a Mercado).

Selic (Projeção)

12,25% (Dez/26)

Tendência de migração da Renda Fixa para a Variável.


Embora o início do ano seja animador, o investidor experiente mantém os olhos no fisco. 2026 é um ano eleitoral, o que naturalmente traz ruído político. Além disso, a implementação da Reforma Tributária entra em fase de teste este mês, com o novo IVA Dual começando a ser operado de forma simbólica.


A lição deste 2 de janeiro é: o mercado está dando um voto de confiança à economia brasileira.


Para o leitor do Hermes Vissotto, o momento é de equilíbrio. A queda nas taxas do Tesouro sinaliza que a janela para travar rentabilidades de dois dígitos na renda fixa pode estar começando a se fechar. Simultaneamente, a Bolsa de Valores começa a ficar atrativa para quem busca capturar o ciclo de alta que geralmente acompanha a queda dos juros.


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