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Operação Zaqueu: Como funcionava o esquema de cobrança de propina dos servidores da Receita Federal.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
10h
3 min de leitura
Fiscal da Receita Federal avisa comerciante sobre fiscalização em posto na fronteira de Roraima com a Guiana. — Foto: Reprodução
Fiscal da Receita Federal avisa comerciante sobre fiscalização em posto na fronteira de Roraima com a Guiana. — Foto: Reprodução

Investigações da Operação Zaqueu revelam cobranças via Pix, monitoramento por fotos e avisos em tempo real para liberação de mercadorias sem fiscalização na divisa de Roraima com a Guiana.


BOA VISTA — A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Zaqueu para desmantelar um esquema de propina e liberação irregular de mercadorias estrangeiras no posto de fiscalização de Bonfim, município localizado no Norte de Roraima, na fronteira do Brasil com a cidade de Lethem, na Guiana.   


A ação conjunta com a Receita Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou em determinações da Justiça Federal para o afastamento dos servidores públicos dos seus cargos por 120 dias, além da instalação de tornozeleira eletrônica nos investigados.   


Como funcionava a cobrança e a liberação de cargas

Segundo as investigações da Polícia Federal, os agentes públicos usavam de suas posições no posto fiscal para vigiar motoristas e comerciantes que faziam rotas frequentes rumo ao país vizinho.   


Para intimidar os viajantes, os fiscais registravam fotos e vídeos do interior do posto de fiscalização e enviavam as mídias aos motoristas que aguardavam na fila, demonstrando o monitoramento contínuo. Em seguida, exigiam o pagamento de suborno sob a ameaça de apreender todas as mercadorias trazidas.   


Os valores variavam conforme a capacidade dos veículos:   

  • Carros de passeio: Cerca de R$ 200 por travessia.   

  • Ônibus de excursão (oriundos de Manaus/AM): Cobranças que partiam de R$ 1.000 e podiam chegar a R$ 10.000 por veículo.   



Quem são os alvos da investigação

A Polícia Federal identificou cinco investigados com papéis específicos na engrenagem criminosa:   

  1. Oberdan Santana de Melo (Servidor da Receita Federal): Apontado como o líder do grupo. Responsável por abordar os viajantes, negociar os valores da propina e orientar a travessia dos veículos.   

  2. Inês Buckley da Silva (Servidora da Receita Federal): Suspeita de realizar a cobrança direta aos comerciantes. Cedeu contas bancárias e chaves Pix para arrecadação dos valores; análises financeiras apontam 47 transferências registradas para sua conta, totalizando quase R$ 25 mil.   

  3. Juan Santiago Medina Paino (Intermediário): Operador financeiro do líder do grupo, fazendo a ponte financeira entre os agentes públicos e os comerciantes.   

  4. Wendell Rodrigues Santana (Filho de Oberdan): Atuava como operador financeiro cedendo chaves Pix para ocultação do dinheiro e também realizava o papel de "batedor", escoltando os veículos com cargas irregulares.   

  5. Tatiane Almeida Batista (Companheira de Oberdan): Responsável por prestar apoio logístico no transporte de produtos vindos da Guiana.   


Operadores financeiros e uso de Pix de terceiros

Para ocultar a origem dos valores e evitar a vinculação direta aos nomes dos servidores no momento das abordagens, o dinheiro era direcionado a chaves Pix cadastradas em nomes de familiares e intermediários.   

Os envolvidos podem responder judicialmente pelos crimes de corrupção, facilitação ao contrabando ou descaminho, associação criminosa e lavagem de dinheiro.   


Posicionamento oficial da Receita Federal

Em nota emitida à imprensa, a Receita Federal declarou que acompanha integralmente as investigações e atua em parceria na apuração das irregularidades cometidas. O órgão reiterou que não tolera e não compactua com desvios de conduta de seus servidores, garantindo rigor nas apurações internas. Caso comprovadas as fraudes ao término do devido processo legal, os envolvidos estarão sujeitos às sanções penais e administrativas previstas em lei.  


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