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Matéria Especial: Tensão na UFRR — Invasões, destruição de materiais e reforço policial no campus Paricarana.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 11 minutos
3 min de leitura
Ação aconteceu no bloco de Direito da Universidade Federal de Roraima — Foto: Arquivo pessoal
Ação aconteceu no bloco de Direito da Universidade Federal de Roraima — Foto: Arquivo pessoal

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) tornou-se palco de intensos conflitos nas últimas semanas, gerando apreensão entre estudantes, professores e servidores. O que começou como uma ação isolada envolvendo parlamentares e políticos locais escalou para a interrupção de aulas por grupos externos e a consequente solicitação de reforço de forças federais de segurança.   


Entenda o Caso

Tudo começou quando alunos do curso de Direito produziram panfletos, bótons, adesivos e bandeiras com o mote "Direito UFRR Antifascista". Os materiais continham compilações de notícias públicas com links de verificação e foram custeados via arrecadação colaborativa (vaquinha) entre estudantes e ex-alunos, sem financiamento ou vínculo político-partidário.   


Na sexta-feira (16/10), o deputado estadual Marcinho Belota (PL) e a ex-candidata a deputada federal Athally Albuquerque (Republicanos) dirigiram-se à Reitoria da UFRR exigindo a remoção dos panfletos, sob a alegação de que traziam "fake news" a respeito do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). A Reitoria recusou a solicitação, justificando que a distribuição do material respeitava as diretrizes da legislação eleitoral.   


Diante do indeferimento, a dupla seguiu ao bloco do curso de Direito e rasgou os materiais expostos e guardados pelo centro acadêmico. Registros em vídeo mostram a destruição dos panfletos no lixo. Os acadêmicos ingressaram com uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) apontando a prática de crimes eleitorais (artigos 331 e 332 do Código Eleitoral).   


No dia seguinte (17/10), a situação agravou-se com a entrada de um grupo com cerca de cinco pessoas não identificadas nos blocos de Direito e do Centro de Ciências Humanas (CCH). Alegando realizar uma "fiscalização" independente de propaganda política, o grupo arrancou bandeiras, interrompeu aulas, hostilizou servidores e recolheu cartazes das paredes. Servidores que presenciaram o ato relataram ter sido intimidados e levantaram a suspeita de que membros do grupo estivessem armados. A Polícia Militar esteve no local para conter o entrevero, e a Polícia Civil abriu inquérito para apurar as infrações.   


Em resposta à escalada da violência e visando assegurar a integridade física da comunidade acadêmica e a autonomia universitária durante a semana de votação do segundo turno das Eleições, a Reitoria da UFRR solicitou o apoio ostensivo e imediato da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional.   


Cronograma dos Fatos

Abaixo está a ordem cronológica dos fatos com base nos relatos e documentos oficiais:

  • Sexta-feira, 16 de outubro de 2026:


    • Envolvidos: Deputado Estadual Marcinho Belota (PL), ex-candidata Athally Albuquerque (Republicanos), Reitoria da UFRR e estudantes do curso de Direito.   

    • Fato: Marcinho Belota e Athally Albuquerque procuram a Reitoria para pedir a retirada de panfletos sobre o candidato Flávio Bolsonaro (PL). A Reitoria indefere o pedido. Em seguida, a dupla vai ao bloco de Direito, rasga os panfletos dos alunos e descarta o material no lixo. O caso é denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) pelos estudantes.   


  • Sábado, 17 de outubro de 2026:


    • Envolvidos: Grupo de pessoas externas (incluindo dois homens de 32 e 24 anos abordados pela polícia), servidores da UFRR, Polícia Militar (PM-RR) e alunos dos blocos de Direito e CCH.   

    • Fato: O grupo invade o campus Paricarana, interrompe aulas, retira a bandeira "Direito UFRR Antifascista" e recolhe cartazes informativos. A segurança aciona a Polícia Militar, que medeia o conflito e recolhe o material. A Polícia Civil abre inquérito no 2º Distrito Policial.   

    • Fato: A UFRR publica nota oficial de "veemente repúdio" contra a invasão, intimidação e depredação do patrimônio. O movimento estudantil arrecada cerca de R$ 6 mil em doações para reimpressão de materiais.   


  • Segunda-feira, 19 de outubro de 2026:


    • Envolvidos: Reitoria da UFRR, Casa de Governo de Roraima, Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Força Nacional.   

    • Fato: A UFRR envia ofícios formais solicitando reforço ostensivo da PF, PRF e Força Nacional no campus durante toda a semana do segundo turno das eleições. O objetivo é prevenir novos episódios de invasão, coação e garantir a segurança do corpo discente e docente.   


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