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Operação Rota do Norte revela que Tren de Aragua abastece Comando Vermelho com armas dos EUA via Roraima.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 18 horas
  • 2 min de leitura
Operação Rota do Norte cumpre mandados contra investigados por ligação com o Tren de Aragua em seis estados — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Operação Rota do Norte cumpre mandados contra investigados por ligação com o Tren de Aragua em seis estados — Foto: Polícia Civil/Divulgação

BOA VISTA — Uma investigação de grande impacto liderada pela Polícia Civil de Roraima (PCRR) desarticulou um sofisticado esquema de tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro na fronteira com a Venezuela. A operação, batizada de "Rota do Norte", cumpriu mais de 50 mandados judiciais nesta terça-feira (16) e revelou uma forte aliança comercial, descrita pelos investigadores como "simbiose", entre a facção venezuelana Tren de Aragua e a organização criminosa brasileira Comando Vermelho (CV).


Segundo a Polícia Civil, o grupo estrangeiro utiliza o estado de Roraima como o principal portal de entrada para armamentos pesados de guerra de origem norte-americana. Fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas entram no território nacional pela fronteira roraimense para abastecer as bases do Comando Vermelho nos estados do Amazonas e do Rio de Janeiro.


O ponto de partida das investigações foi a apreensão de fuzis de fabricação americana no município de Mucajaí (RR), em novembro de 2024. A partir da análise técnica e do rastreio desse material bélico, a polícia conseguiu mapear a rota e o destino final dos itens.


A engrenagem do crime: 'Simbiose' e criptomoedas

As autoridades apontam que a parceria entre os dois grupos é estritamente comercial e altamente vantajosa para ambos. O Tren de Aragua dispõe do produto (armas pesadas vindas dos EUA, Colômbia e Venezuela), enquanto o Comando Vermelho possui o alto poder de compra e os recursos financeiros que a facção venezuelana necessita.


Para movimentar os milhões de reais gerados pelo tráfico, o Tren de Aragua passou a atuar de forma corporativa. De acordo com a Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), o grupo se modernizou e utiliza métodos sofisticados de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de criptomoedas, o que exige agora investigações ainda mais especializadas.


O Tren de Aragua, fundado originalmente em uma prisão venezuelana, já é classificado pelos Estados Unidos como uma organização terrorista estrangeira, mesma designação dada ao CV e ao PCC.


Impacto e prisões em Roraima

A operação "Rota do Norte" foi deflagrada simultaneamente em Roraima e em outros cinco estados. Ao todo, foram expedidos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 de busca e apreensão.


Roraima concentrou grande parte das ações judiciais:

  • Mandados: Dos 25 mandados de prisão, 16 foram expedidos para Roraima.

  • Prisões: Quatro alvos foram presos no estado (de um total de 11 no país).

  • Apreensões Locais: Foram confiscados quatro veículos (uma S10, um Creta, um HRV e um HB20) e porções de ecstasy.

  • Valores em Espécie: Mais de R$ 17 mil e 100% dos dólares apreendidos na operação nacional (US$ 48 mil) estavam em solo roraimense.


Liderança em RR: O relatório da Draco destaca que, enquanto os operadores financeiros locais atuavam no nível intermediário da estrutura, os principais líderes do braço operacional e violento do Tren de Aragua estavam baseados diretamente em Roraima.


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