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EXPANSÃO DO CRIME: Como o Tren de Aragua fincou raízes no Norte do Brasil e se aliou ao PCC e CV.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Policiais da Força Tática prendem um homem por supostamente vender drogas na fronteira com a Venezuela, em 2019 — Foto: AFP via Getty Images
Policiais da Força Tática prendem um homem por supostamente vender drogas na fronteira com a Venezuela, em 2019 — Foto: AFP via Getty Images

Das trochas na fronteira ao "narcogarimpo" em Roraima, a facção venezuelana que entrou na mira de Donald Trump consolida um império criminoso na Amazônia brasileira.



BOA VISTA - A descoberta recente de um cemitério clandestino em uma área de mata em Boa Vista, contendo ao menos nove cadáveres, em sua maioria de cidadãos venezuelanos, acendeu o alerta definitivo para as autoridades de segurança pública no Brasil. O caso, revelado após o depoimento de um olheiro que tentava escapar da organização, expõe as garras de uma das facções mais impiedosas da América Latina: o Tren de Aragua (TDA).


Originalmente nascido na prisão de Tocorón, na Venezuela, o grupo expandiu seus tentáculos por diversos países sul-americanos e, agora, consolida sua presença no Norte do Brasil, operando em pelo menos quatro municípios de Roraima e estendendo sua influência para outras cinco unidades da federação.



A Engrenagem do 'Narcogarimpo'

Se na Venezuela o TDA historicamente controlou a mineração de ouro em Las Claritas, no Brasil o grupo replicou o modelo de negócios voltando-se para o garimpo ilegal na Amazônia.


Diferente de operar apenas na extração direta, a facção atua fortemente na cadeia de suprimentos e serviços das áreas de garimpo. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que o grupo lucra com o tráfico de combustíveis, venda de maquinário, alimentos inflacionados e no recrutamento de mulheres venezuelanas para redes de exploração sexual nestas regiões.


Alianças Prisionais e a Conexão com PCC e CV

A consolidação do Tren de Aragua em território brasileiro ganhou tração com o aumento do fluxo migratório e, consequentemente, a prisão de integrantes do grupo no sistema penitenciário de Roraima.


Atrás das grades, em vez de conflito, houve uma convergência de interesses. O TDA estabeleceu parcerias táticas com as maiores facções do Brasil: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Enquanto os brasileiros dominam as grandes rotas de escoamento transatlântico, os venezuelanos oferecem acesso facilitado a armas e controle territorial na fronteira.


Na Mira de Washington: O avanço do TDA na América Latina e sua aproximação com cartéis brasileiros fizeram o Departamento de Estado dos EUA classificar a facção como uma Organização Terrorista Estrangeira. Washington também acusa o grupo de manter vínculos históricos com o regime de Nicolás Maduro para operações de narcoterrorismo.


Da Queda de Tocorón à Reorganização na Fronteira

Embora o governo venezuelano tenha realizado uma megaoperação para retomar o controle da prisão de Tocorón, o "quartel-general" original da facção, o golpe não desmantelou a estrutura do grupo. Informadas previamente sobre a invasão, as principais lideranças fugiram com arsenal e recursos.


Atualmente, acredita-se que as ordens que ecoam em Roraima partam de Las Claritas, a última cidade venezuelana antes da densa floresta que divide os dois países.


Para o aparato de segurança brasileiro, o desafio deixou de ser apenas o combate ao tráfico doméstico: o Tren de Aragua transformou o extremo norte do Brasil em uma peça-chave do crime organizado transnacional.


Para mais análises de segurança e geopolítica da América Latina, continue acompanhando o Portal Hermes Vissotto.


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