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Operação Raubritter: PF indicia ex-secretário da Seed, político e empresários por fraude de R$ 4,3 milhões em Roraima.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 8 horas
3 min de leitura
Raimundo Nonato Carneiro, Masamy Eda (Pode), Hemyson Eda Rodrigues e Dagoberto Kunzler Machado Junior, indiciados pela PF. — Foto: Reprodução
Raimundo Nonato Carneiro, Masamy Eda (Pode), Hemyson Eda Rodrigues e Dagoberto Kunzler Machado Junior, indiciados pela PF. — Foto: Reprodução

Investigação aponta rombo de mais de R$ 4 milhões em contrato de materiais de limpeza para escolas indígenas; apenas 5% dos produtos pagos foram efetivamente comprovados no estoque.


BOA VISTA - A Polícia Federal (PF) indiciou nove pessoas no âmbito da Operação Raubritter, que apura um esquema de fraude em licitação e execução contratual na Secretaria de Estado da Educação e Desporto de Roraima (Seed-RR). O contrato, focado na aquisição de insumos de limpeza e higiene para escolas estaduais indígenas, alcançou o montante de quase R$ 4,3 milhões.  


De acordo com a PF, quatro nomes figuram como os principais articuladores da irregularidade:  

  • Raimundo Nonato Carneiro: Ex-secretário estadual de Educação;  

  • Masamy Eda (Pode): Político, empresário e ex-deputado estadual;  

  • Hemyson Eda Rodrigues: Empresário e primo de Masamy Eda;  

  • Dagoberto Kunzler Machado Junior: Responsável pelo setor de logística da Seed à época.  


Prejuízo apurado e indícios de fraude

A apuração teve início a partir de uma denúncia anônima sobre um pregão eletrônico realizado em janeiro de 2023. Segundo os relatórios policiais, boa parte dos materiais pagos com verba pública jamais foi entregue.  


A perícia da Polícia Federal calculou que, dos R$ 4,29 milhões desembolsados pelo governo estadual, a empresa detentora do contrato possuía em estoque o equivalente a apenas R$ 218 mil em produtos, cerca de 5% do total pago. O prejuízo aos cofres públicos apurado é de R$ 4.079.490,37.  


Entre as irregularidades apontadas pelos investigadores para direcionar o certame à empresa Pátio dos Carros (atual H E Rodrigues), destacam-se:  

  • Agrupamento em lote único: Redução da concorrência sem justificativa técnica plausível;  

  • Atestado de capacidade técnica falso: Utilização de documentos com indícios de falsificação para comprovar experiência operacional;  

  • Desclassificação indevida: Eliminação de empresas com propostas mais baratas por critérios desconsiderados na análise da vencedora;  

  • Incompatibilidade logística: Emissão de nota fiscal atestando o recebimento de quase 460 mil itens em um único dia, volume desproporcional à capacidade da empresa.  


A divisão das condutas, segundo a PF

A investigação detalha a participação dos quatro principais envolvidos no esquema:  

  • Hemyson Eda Rodrigues: Proprietário da empresa vencedora e principal beneficiário. Foi indiciado por associação criminosa, fraude na licitação, fraude na execução do contrato e inserção de informação falsa em documentos.  

  • Masamy Eda: Teria apresentado proposta simulada por meio de outra empresa com valor idêntico ao da vencedora, desistindo em seguida para simular concorrência real. Indiciado por associação criminosa e fraude na licitação.  

  • Raimundo Nonato Carneiro: Apontado por assinar justificativas técnicas para o lote único e manter a empresa no certame mesmo após recursos de concorrentes. Indiciado por associação criminosa e fraude na licitação.  

  • Dagoberto Kunzler Machado Junior: Teria ordenado que servidoras atestassem o recebimento total das mercadorias sem a devida conferência física. Indiciado por fraude na execução do contrato.  


O outro lado

  • Defesa de Masamy Eda: Declarou que o indiciamento não se traduz em culpa e reafirmou que demonstrará a inocência do cliente perante a Justiça, optando por não comentar detalhes técnicos por respeito ao processo.  

  • Defesa de Dagoberto Kunzler: Afirmou que o servidor atuou com estrita legalidade e transparência no serviço público, destacando que as devidas justificativas serão apresentadas no decorrer do processo judicial.  

  • Defesa de Hemyson Eda: Negou qualquer simulação de concorrência ou prejuízo ao erário, afirmando que os produtos foram devidamente entregues e lembrando que a empresa possui 33 anos de mercado e colabora com as investigações.  

  • Secretaria de Educação (Seed-RR): Informou que Raimundo Nonato não assinou contratos nem efetuou pagamentos do certame. A pasta alegou que o processo iniciou na gestão do ex-gestor, mas seguiu os trâmites legais, e que as etapas de ordem de serviço e liquidação foram conduzidas pela gestão subsequente.  


Histórico de investigações

Esta não é a primeira apuração envolvendo contratações da Seed e membros da família Eda. Em janeiro de 2026, a PF deflagrou a 2ª fase da Operação Escama, que apura fraudes na contratação de merenda escolar com bloqueio de bens que chegou a R$ 45,3 milhões. Na ocasião, Masamy Eda chegou a ser preso em flagrante por fraude processual ao arremessar seu telefone celular pela janela durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.  


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