ONU avaliará denúncia sobre envolvimento e atuação de Flávio Bolsonaro no caso Ana Clara.


Organismo internacional agendou reunião em Genebra para analisar comunicações sobre o assassinato da criança de 5 anos e as interferências na condução da Justiça.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) deve analisar, entre os dias 18 e 24 de dezembro, em Genebra (Suíça), uma denúncia formal que envolve a atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro no processo do assassinato da menina Ana Clara Machado.
Ana Clara foi morta aos 5 anos de idade, em fevereiro de 2021, por um tiro de fuzil efetuado durante uma ação militar em Niterói (RJ). O policial militar Bruno Dias Delaroli tornou-se réu pela morte da criança.
Origem da Denúncia e Atuação Política
A representação internacional foi iniciada por Raphael Costa, ex-secretário de Direitos Humanos de Niterói, que atuou no acolhimento de testemunhas logo após o crime. Costa alega ter levado o caso ao órgão internacional em 2022 devido ao avanço do poder miliciano no Estado do Rio de Janeiro e às supostas manobras para conceder imunidade e liberdade aos envolvidos.
Em atualização recente ao dossiê entregue à ONU, o advogado destacou a entrada formal de Flávio Bolsonaro na defesa técnica e política do réu. O parlamentar assumiu a defesa jurídica do policial no intuito de adiar ou anular o julgamento pelo Tribunal do Júri.
O julgamento de Bruno Delaroli, que inicialmente estava previsto para ocorrer este ano, foi novamente adiado pela Justiça e remarcado para 5 de maio de 2027.
Desdobramentos e Impacto Internacional
O acolhimento e a inclusão do caso na pauta de análise da ONU visam examinar os níveis de interferência e violações de direitos humanos na condução das apurações judiciais no Brasil. Embora as decisões e manifestações da ONU não tenham poder vinculante diretos sobre os tribunais brasileiros, elas funcionam como forte pressão diplomática sobre as autoridades judiciais do país.

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