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Midterms nos EUA: Entenda as Eleições que Podem Travar o Governo Trump e Levar a um Novo Impeachment.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 4 horas
3 min de leitura

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, ocorrem exatamente na metade do mandato presidencial de quatro anos. Embora a figura do presidente não apareça nas cédulas, o pleito funciona como um verdadeiro referendo popular sobre o desempenho do governo federal.   


Nas midterms, são colocadas em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes (cujos mandatos duram dois anos) e aproximadamente um terço das vagas do Senado (35 das 100 cadeiras, com mandatos de seis anos). Atualmente, o Partido Republicano detém o controle de ambas as casas. Na Câmara, possui 218 deputados contra 214 dos democratas (havendo 3 vagas vagas no momento do cálculo). No Senado, conta com 53 cadeiras, enquanto a oposição e independentes alinhados somam 47.   

Historicamente, essa disputa é perigosa para a gestão em exercício: em 20 das últimas 22 midterms, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara.   


O Impacto nos Planos de Donald Trump e o Risco de Impeachment

Uma vitória do Partido Democrata, a chamada "onda azul", pode transformar drasticamente a dinâmica de poder em Washington. O desgaste do presidente, impulsionado pela insatisfação dos eleitores com a inflação e o custo de vida (com preços de combustíveis elevados), além de investigações e queda de popularidade, ampliou o favorecimento da oposição nas projeções eleitorais.   


1. Bloqueio da Agenda Legislativa e Fiscalização

Caso conquistem a maioria na Câmara dos Representantes, os democratas assumirão o controle da pauta legislativa e das comissões de investigação. Com isso, o governo Trump enfrentará barreiras para aprovar novos projetos de lei, cortes de impostos ou liberação de recursos. Se a oposição também levar o Senado, passará a ter influência direta sobre a aprovação e confirmação de indicados do Executivo para cargos federais, o Federal Reserve (Fed) e a Suprema Corte.   


2. A Ameaça de um Terceiro Impeachment

O próprio Donald Trump expressou publicamente receio quanto ao resultado das urnas, afirmando a correligionários republicanos: "Temos que ganhar as Midterms, porque, se não ganharmos, eles vão encontrar um jeito de fazer um impeachment. Eu vou sofrer um impeachment".   


A legislação norte-americana exige procedimentos distintos para a destituição de um presidente:   

  • Câmara dos Representantes: Exige maioria simples (218 votos) para aprovar a abertura e a acusação de impeachment (impeach).   

  • Senado: Atua como tribunal no julgamento e exige uma supermaioria de dois terços para condenar e remover o presidente do cargo.   


Portanto, a conquista da Câmara pela oposição torna factível a aprovação de um terceiro processo de impeachment contra Trump. Contudo, a remoção definitiva dependeria da conquista de uma improvável supermaioria no Senado. De todo modo, a instauração do processo fragiliza a governabilidade e intensifica as investigações sobre a administração pública.   


Reflexos na Economia Brasileira: Dólar, Juros e Relações Bilaterais

O resultado das urnas americanas transcende as fronteiras dos EUA e afeta diretamente os mercados emergentes, incluindo o Brasil, por dois canais principais: os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e a taxa de câmbio.   

  • Cenário de Vitória Republicana (Manutenção do Controle): Daria margem para Trump avançar com novas políticas de corte de impostos e expansão do déficit público, aumentando os juros dos títulos públicos americanos (Treasuries). Isso atrai capital internacional para os EUA, valoriza o dólar em relação ao real, pressiona os juros futuros no Brasil e prejudica setores sensíveis ao crédito (como varejo e construção). Além disso, manteria espaço para a imposição unilateral de tarifas comerciais (com base nas Seções 232 e 301 da legislação de comércio externa dos EUA).   

  • Cenário de Vitória Democrata ("Onda Azul"): Reduz o espaço para gastos expansionistas desenfreados, aliviando a pressão sobre os juros americanos. Com isso, os mercados emergentes tornam-se mais atrativos, favorecendo o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, a apreciação do real e a queda dos juros futuros. No entanto, disputas orçamentárias severas entre o Congresso e a Casa Branca podem gerar volatilidade no mercado global.   


Diante do quadro de incertezas na relação bilateral entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, a composição do novo Congresso americano será determinante para balizar o nível de atrito diplomático, as barreiras tarifárias e o comportamento dos ativos financeiros nos próximos dois anos.   


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