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FUGA DO FLÁVIO: Entenda o pagamento do voo, a perda de mandato e a possível deportação.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 9 horas
4 min de leitura
Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA — Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters
Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA — Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters

Intermediário nos Estados Unidos e Pagamento de US$ 150 Mil

Gulfstream G400
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O avião conta com gavetas de gelo, banheiro traseiro com sistema a vácuo e tomada de 110 v.
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Outros serviços de bordo inclusos são comida gourmet, lanches, bebidas, refrigerantes e open bar.
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O jatinho tem capacidade para 13 passageiros.
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Aeronave conta com camas para até 6 pessoas.
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Entre os serviços disponibilizados estão iPads, revistas especializadas, cobertores e travesseiros de puro algodão Divulgação/Baires Fly – 28.out.2026.
Entre os serviços disponibilizados estão iPads, revistas especializadas, cobertores e travesseiros de puro algodão Divulgação/Baires Fly – 28.out.2026.

O voo charter particular que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família para os Estados Unidos foi contratado e pago por meio de um intermediário (broker) do setor aeronáutico sediado nos EUA. Segundo revelado por Luis Grande, proprietário da empresa de aviação executiva argentina Baires Fly, o intermediário possui dupla nacionalidade (argentina e americana) e transferiu US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil) a partir de uma conta bancária americana para um banco na Argentina.   


Veículos de imprensa norte-americanos, como o The New York Times e o The Wall Street Journal, apontaram que a aeronave teria sido contratada por Jason Miller, assessor do presidente Donald Trump. Luis Grande declarou não conhecer a identidade do contratante final, e a Casa Branca optou por não se pronunciar formalmente sobre as alegações.   


A Rota de Fuga e o Embarque na Fronteira


Flávio Bolsonaro realizou o deslocamento terrestre a partir do Brasil até a tríplice fronteira, cruzando de Foz do Iguaçu para Porto Iguaçu, na Argentina. O embarque rumo a Miami ocorreu na madrugada de quarta-feira (28 de outubro de 2026) a partir do Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú. Para evitar o espaço aéreo brasileiro, o jatinho fez uma escala técnica no Equador antes de seguir para a Flórida. Flávio embarcou utilizando um passaporte italiano.   


INVESTIGAÇÃO NA ARGENTINA E TENSÃO DIPLOMÁTICA


Determinada a Preservação de Imagens da Fronteira

A Justiça Federal da Argentina emitiu uma ordem para que o governo do presidente Javier Milei preserve integralmente as gravações de câmeras de segurança que registraram a passagem do parlamentar brasileiro. A medida foi direcionada à Direção Nacional de Migração, à Agência de Receita e Controle Aduaneiro, à Polícia Aeroportuária e à Gendarmaria Nacional. As investigações buscam mapear com precisão o trajeto feito por Flávio entre a Ponte Internacional Tancredo Neves e o terminal aeroportuário.   


Reação Oficial e Passaportes Retidos

A fuga ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro e proibi-lo de deixar o país. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal feito no âmbito de investigações sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O governo argentino declarou que a decolagem ocorreu com a documentação em dia no controle migratório local e sem alertas ou impedimentos ativos da Interpol naquele momento.   


PRESSÃO NOS EUA E RISCO DE DEPORTAÇÃO OU EXTRADIÇÃO

O deputado democrata Joaquin Castro cobra explicações do presidente Donald Trump sobre a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e questiona possível participação do governo americano na fuga do senador brasileiro. — Crédito: Reprodução/ Montagem GP
O deputado democrata Joaquin Castro cobra explicações do presidente Donald Trump sobre a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e questiona possível participação do governo americano na fuga do senador brasileiro. — Crédito: Reprodução/ Montagem GP

Democratas Exigem Explicações do Governo Trump

Um grupo composto por 25 deputados democratas enviou uma carta formal ao Departamento de Estado dos EUA cobrando esclarecimentos sobre a facilitação e a concessão de vistos para a entrada de Flávio Bolsonaro e sua família no país. Liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, a iniciativa exige respostas a 15 questionamentos detalhados até o dia 13 de novembro. Os parlamentares questionam se houve uso indevido de recursos diplomáticos ou interferência indevida para burlar uma ordem judicial brasileira.   


Possibilidade de Deportação e Recursos Legais

A permanência de Flávio nos Estados Unidos enfrenta incertezas jurídicas e diplomáticas:   

  • Cancelamento de Visto ou Deportação Direta: Caso fique comprovado que o senador ingressou nos EUA ciente de restrições judiciais em seu país de origem ou se for constatado desvio nas regras de emissão de visto, as autoridades de imigração norte-americanas (CBP/DHS) podem revogar sua autorização de permanência e iniciar um processo administrativo de deportação.   

  • Uso do Passaporte Italiano: O ingresso ou trânsito utilizando cidadania europeia/passaporte italiano pode ser submetido à revisão pelas autoridades americanas caso haja alertas internacionais formalizados pelo Judiciário brasileiro.   


CONSEQUÊNCIAS NO SENADO: RISCO IMINENTE DE PERDA DE MANDATO


Acúmulo de Faltas Não Justificadas (Limite Constitucional) De acordo com o artigo 32 do Regimento Interno do Senado Federal, o parlamentar perde o mandato se deixar de comparecer a mais de um terço (1/3) das sessões deliberativas ordinárias de cada sessão legislativa anual sem licença ou missão autorizada.   

  • Contagem de Ausências: Flávio Bolsonaro registra 11 faltas não justificadas no ano.   

  • Projeção até o Recesso: Com 49 sessões deliberativas já realizadas e mais 23 previstas até o recesso de 23 de dezembro (totalizando 72 sessões no ano), o limite máximo permitido de faltas é de 24. Caso continue ausente sem justificativa aceita pela Casa, atingirá o teto em dezembro.   

  • Mecanismo de Cassação por Faltas: A perda do mandato por excesso de ausências é declarada diretamente pela Mesa Diretora do Senado, assegurada a ampla defesa, sem a necessidade de votação nominal no Plenário.   


Processo por Quebra de Decoro Parlamentar

Paralelamente ao critério objetivo de faltas, parlamentares já anunciaram representações junto à Mesa Diretora para o encaminhamento do caso ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Sob a acusação de abandono de cargo e descumprimento deliberado de ordem judicial, um processo por quebra de decoro exige o voto favorável de pelo menos 41 dos 81 senadores em plenário para resultar na cassação definitiva do mandato.   


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