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Foto de Flávio Bolsonaro com "Sicário", aliado de Daniel Vorcaro, acende alerta na investigação do Caso Master.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" | Reprodução/ICL Notícias
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" | Reprodução/ICL Notícias

Uma nova revelação traz contornos ainda mais dramáticos para as investigações que envolvem o antigo comando do Banco Master e a família Bolsonaro. O portal ICL Notícias, em parceria com o consórcio internacional CLIP (Centro Latino-americano de Investigación Periodística), divulgou um registro fotográfico datado de 2022 que mostra o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sorridente ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão.


Conhecido no submundo do crime e das investigações policiais pelo codinome "Sicário", Mourão era apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal operador tático e braço direito do banqueiro Daniel Vorcaro.


A imagem, registrada em um hotel de luxo na zona sul do Rio de Janeiro, surge apenas dois meses após o vazamento de conversas diretas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, nas quais o parlamentar solicitava cifras milionárias para o financiamento de um projeto cinematográfico familiar.


Quem era "Sicário", o operador de bastidores da "Turma"

Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", teve um fim trágico e recente. Ele morreu no dia 6 de março deste ano no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal.


De acordo com os relatórios da PF, Sicário exercia uma liderança operacional fundamental dentro de uma organização criminosa informal apelidada de "A Turma", integrada também por Daniel Vorcaro. Suas funções eram altamente especializadas e voltadas para a espionagem, intimidação e obstrução de informações:

  • Infiltração em Sistemas do Estado: Sicário conseguia extrair dados confidenciais de bancos de dados altamente restritos de segurança pública, incluindo sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e de agências internacionais como a Interpol e o FBI.

  • Monitoramento e Coação: Era o encarregado de rastrear e levantar perfis de desafetos do grupo e de intimidar antigos funcionários do Banco Master.

  • Censura Digital: Coordenava a derrubada de contas e a remoção de críticas direcionadas ao grupo econômico nas redes sociais.

  • Ameaça a Jornalistas: Em um dos diálogos mais alarmantes interceptados pela PF, Daniel Vorcaro pedia a Sicário que organizasse um assalto forjado para "dar um pau" no jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.


Flávio nega vínculo: "Mais uma das várias fotos que tiro"


Diante da repercussão do caso, o senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais tentando minimizar o peso político e jurídico da imagem. O parlamentar declarou que, por ser uma pessoa pública de alta popularidade, é constantemente abordado por cidadãos comuns.


"Eu não sei se é verdade, né? Se for verdade, certamente é mais uma das várias que eu tiro todos os dias... Eu não tenho como saber quem é aquela pessoa que tá tirando foto comigo, né?"


Em nota oficial, a assessoria do senador reforçou a narrativa de que o encontro foi puramente casual, classificando como "irresponsável" qualquer tentativa de associar o parlamentar às atividades ilícitas de Mourão.


O Contra-ataque Político

No mesmo pronunciamento, Flávio usou o episódio para atacar seu principal adversário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador comparou a sua foto com Sicário à imagem de Lula ao lado da influenciadora Deolane Bezerra, atualmente presa sob suspeita de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), tirada durante a campanha eleitoral de 2022.


A Relação Financeira por trás de "Dark Horse"

Apesar das alegações de desconhecimento sobre Sicário, a proximidade de Flávio Bolsonaro com o chefe do operador, Daniel Vorcaro, já está documentada.


Mensagens interceptadas revelaram que Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro, então dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", obra cinematográfica destinada a contar a trajetória de Jair Bolsonaro. Na ocasião em que as mensagens vazaram, Flávio confirmou o pedido de dinheiro justificando que agiu legitimamente: "era um filho procurando patrocínio".


O senador alegou posteriormente que os recursos foram totalmente revertidos na produção do longa e que o banqueiro receberia retornos baseados na bilheteria. O acordo financeiro e as relações entre ambos, segundo Flávio, foram rompidos após atrasos e quebras de pagamentos por parte dos investidores.


Perícia confirma: A foto é real

Para afastar teorias de que a imagem poderia ser uma montagem digital ou uma criação de Inteligência Artificial, o portal ICL e o CLIP submeteram o arquivo a um rigoroso protocolo de checagem técnica:

  • Análise de IA: A foto passou por cinco ferramentas de detecção de manipulação sintética (incluindo Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer), sem encontrar indícios de geração artificial.

  • Análise Forense de Imagem: Utilizando o software InVID, especialistas confirmaram a consistência de iluminação, sombras das mãos e os reflexos idênticos nos óculos escuros de Flávio Bolsonaro e de Luiz Mourão, atestando que ambos compartilhavam o mesmo espaço físico no momento do clique.


Com a liberação de dados telemáticos e a quebra de sigilos determinada pelas investigações em curso, a Polícia Federal busca mapear se a atuação do grupo criminoso "A Turma" teve qualquer facilitação política ou se os interesses do bando se cruzaram com a atuação parlamentar de seus interlocutores em Brasília.


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