De Território a Estado: Roraima completa 38 anos de história, transformações e crescimento.


BOA VISTA — Nesta segunda-feira (5), Roraima celebra 38 anos da sua elevação à condição de Estado federado. Promulgada na Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, a mudança administrativa marcou a transição do antigo Território Federal de Roraima para uma unidade autônoma do Brasil. Contudo, os caminhos que moldaram o estado mais ao norte do país começaram a ser traçados séculos antes, impulsionados pela presença militar, pecuária, garimpo e, mais recentemente, pelo agronegócio.
As Origens Coloniais e a Formação Territorial


A ocupação colonial da região ganhou impulso no século XVIII. Em 1775, a Coroa portuguesa ergueu o Forte São Joaquim às margens do Rio Branco para assegurar a defesa de suas fronteiras estratégicas. A partir desse ponto de apoio militar, a criação de gado começou a ocupar os campos naturais. Registros históricos do IBGE indicam que o rebanho bovino e equino foi introduzido em 1789 sob a liderança de Manuel da Gama Lobo D'Almada.

No século XIX, o povoamento em torno da Fazenda Boa Vista deu origem à vila que viria a se tornar a capital do estado. Boa Vista foi elevada à categoria de vila em 1887.
A criação de uma estrutura administrativa própria para a região ocorreu em 1943, quando o presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto-Lei nº 5.812, criando o Território Federal do Rio Branco, desmembrado do Amazonas e do Pará. Apenas em 1962 a unidade recebeu o nome oficial de Território Federal de Roraima (Lei nº 4.182).
A Elevação a Estado e o Salto Demográfico

A grande virada institucional veio com o Artigo 14 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988, que determinou a elevação de Roraima e do Amapá a Estados. Com eleições realizadas em 1990 e a posse do primeiro governador eleito, Ottomar Pinto, em 1º de janeiro de 1991, o estado foi oficialmente instalado.

Na época, o Censo de 1991 registrou uma população de 217.583 habitantes, distribuída em apenas oito municípios. Boa Vista concentrava 66,3% da população total (144.249 moradores).
Ao longo das últimas décadas, o perfil demográfico e o mapa político do estado se transformaram radicalmente:
Crescimento populacional: Segundo o IBGE, Roraima alcançou 636.707 habitantes no Censo de 2022, com estimativa de atingir 761.012 pessoas em 2026.
Concentração urbana: Boa Vista ultrapassou a marca estimada de mais de 500 mil habitantes.
Divisão municipal: Dos dois municípios existentes em 1976 (Boa Vista e Caracaraí), Roraima passou a ter 15 municípios após novas emancipações em 1985 e 1997.
Fluxos migratórios: O crescimento foi impulsionado por migrações internas de brasileiros de diversas partes do país e, mais recentemente, pelo expressivo fluxo migratório de venezuelanos pela fronteira.
Ciclos Econômicos: Da Pecuária e Garimpo à Soja

A trajetória econômica de Roraima reflete suas fases de ocupação:
Pecuária e Colonização: A pecuária esteve presente desde as primeiras fazendas coloniais. Projetos de colonização agrícola, como o iniciado em Mucajaí em 1951, deram origem a novos núcleos urbanos e fortaleceram a criação de gado.
Mineração e Garimpo: Iniciada por volta de 1937, a atividade garimpeira viveu um auge entre as décadas de 1960 e 1970. A busca por diamantes na Serra do Tepequém (Amajari) atraiu milhares de pessoas e deixou marcas geográficas e culturais, transformando a região hoje num importante polo turístico. Na capital, o Monumento ao Garimpeiro, erguido no Centro Cívico na gestão do governador Hélio da Costa Campos, homenageia esse período. Atualmente, o garimpo ilegal representa um severo desafio socioambiental em áreas de conservação e Terras Indígenas, sendo alvo constante de operações de fiscalização.
A Era do Agronegócio: Nos últimos anos, a agricultura comercial assumiu o protagonismo econômico. A produção de grãos, com destaque para a soja, expandiu-se rapidamente. Para a safra 2025/2026, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetam uma colheita de cerca de 735 mil toneladas de grãos em aproximadamente 186 mil hectares.
Um Marco em Construção
A data de 5 de outubro consolida a memória da emancipação política roraimense. Trata-se do marco oficial de uma construção histórica diária, tecida por diferentes povos, migrantes e gerações que transformaram o antigo Território em um estado dinâmico e em contínua evolução.

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