MPRR denuncia delegado de Rorainópolis por violência institucional, ameaça e injúria racial.


A Promotoria de Justiça apresentou uma nova denúncia contra o delegado Rick da Silva e Silva por condutas ocorridas na delegacia do município no Sul de Roraima; esta é a terceira ação formal movida contra o policial.
BOA VISTA - O Ministério Público de Roraima (MPRR) apresentou uma nova denúncia criminal contra o delegado Rick da Silva e Silva, titular da Polícia Civil na comarca de Rorainópolis, no Sul do estado. A peça acusatória, ajuizada pela Promotoria de Justiça local na última quarta-feira (30 de setembro) e encaminhada à Vara Criminal da Comarca, aponta que o autor praticou crimes de violência institucional, ameaça, injúria funcional contra servidor público e injúria racial.
Intimidação a adolescente e mãe
Segundo os dados apurados pelo MPRR, os fatos ocorreram em setembro de 2025 no interior da Delegacia de Polícia Civil de Rorainópolis. O caso teve início quando um adolescente de 17 anos compareceu ao local acompanhado de sua mãe com a intenção de registrar denúncia de agressão física supostamente praticada por policiais militares.
Conforme narra a denúncia, durante o atendimento, o delegado passou a questionar o jovem sobre assuntos alheios ao boletim de ocorrência, exibiu fotos de armas e desferiu ofensas contra ele. Em seguida, conduziu o adolescente de forma reservada para o seu gabinete, onde o constrangeu e intimidou. A conduta levou o menor ao estado de desespero e choro, fazendo com que a mãe do jovem passasse mal na unidade policial.
O órgão ministerial apurou ainda que o delegado ameaçou divulgar uma fotografia do adolescente em grupos de mensagens vinculados a facções criminosas para induzir o seu assassinato, caso a denúncia contra os policiais militares fosse levada adiante. Em depoimento formal, a mãe do adolescente confirmou as ameaças dirigidas ao filho.
Perseguição e injúria racial contra agente da Polícia Civil
A denúncia abrange também agressões direcionadas a um agente da Polícia Civil lotado na mesma delegacia. O delegado acusou o policial subordinado de vazar informações a seu respeito e de ter orientado o adolescente e sua mãe a buscarem o apoio do Ministério Público.
Durante uma reunião presencial com a equipe de servidores da unidade, Rick da Silva teria afirmado que mantinha dados coletados via "escuta telefônica" que poderiam prejudicar e encerrar a carreira do agente público. No mesmo encontro, proferiu ofensas verbais diante dos demais colegas de trabalho, utilizando expressões de cunho racial contra o policial.
Pedido de indenização e reincidência
O Ministério Público requereu ao Judiciário a fixação do valor mínimo de R$ 10 mil para a reparação de danos morais e materiais para cada uma das duas vítimas.
Esta constitui a terceira denúncia criminal formal formulada pelo MP contra o delegado. Em ações anteriores, o policial já passou a responder por atos como abuso de autoridade, constrangimento ilegal, falsidade ideológica, prevaricação e peculato, além de já ter tido ordem de prisão executada no âmbito de investigações relativas a interferências em inquéritos policiais na região.
O outro lado
Em nota de manifestação oficial, o delegado Rick da Silva e Silva declarou:
"Recebo a notícia com serenidade e respeito às instituições, confiante de que o processo judicial permitirá o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A defesa respeita a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário e ententende que todo o conjunto probatório, inclusive os depoimentos posteriores e as divergências existentes entre as versões, deverá ser analisado sob o contraditório."

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