Bastidores de "Dark Horse": Quem é quem no escândalo financeiro e político que envolve a família Bolsonaro.
- Hermes Vissotto

- há 4 dias
- 3 min de leitura

Nota do Editor: Este artigo é baseado em material jornalístico e investigativo originalmente publicado pelo veículo Intercept Brasil, na série de reportagens intitulada "Vaza Flávio".
Uma complexa teia de relações que une o topo do poder político da direita brasileira, o mercado financeiro e a produção cinematográfica internacional veio à tona com o avanço das investigações do caso "Dark Horse". O projeto, que nasceu com o objetivo de produzir um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, transformou-se no epicentro de um escândalo que envolve cifras bilionárias, transações internacionais e suspeitas de favorecimento político.
Para além das figuras principais, o esquema revela uma estrutura de coadjuvantes que atuaram como operadores financeiros, intermediários e produtores. Abaixo, detalhamos o papel de cada um dos envolvidos na investigação.
Os Protagonistas: O Político e o Banqueiro
![Senator Flavio Bolsonaro [File: Adriano Machado/Reuters]](https://static.wixstatic.com/media/9b9204_1f825604c41f4d71b545cc7e0af14641~mv2.png/v1/fill/w_741,h_492,al_c,q_90,enc_avif,quality_auto/9b9204_1f825604c41f4d71b545cc7e0af14641~mv2.png)
Flávio Bolsonaro (PL)
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, Flávio é apontado como peça-chave nas negociações. Segundo as investigações, ele tratava o banqueiro Daniel Vorcaro como "irmão" e articulou diretamente o aporte de R$ 134 milhões para o financiamento da película sobre seu pai. Após meses negando qualquer vínculo e atacando a imprensa, o parlamentar recuou e admitiu os diálogos com o operador financeiro.

Daniel Vorcaro
Controlador do Banco Master, instituição financeira liquidada após a descoberta de fraudes bilionárias que geraram um rombo superior a R$ 40 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Vorcaro era o investidor principal do filme. Com forte trânsito na capital federal, ele também é suspeito pela Polícia Federal de pagar mesadas ao senador Ciro Nogueira (PP) em troca de blindagem e defesa de interesses. Vorcaro foi preso preventivamente na Operação Compliance Zero.
A Conexão com o Setor Cultural e Político

Mario Frias (PL-SP)
Deputado federal e ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, Frias utilizou seus contatos no meio artístico para fazer a ponte entre os investidores brasileiros e a equipe norte-americana do filme, incluindo o diretor Cyrus Nowrasteh e o ator Jim Caviezel. Ele atuou como produtor-executivo e foi o responsável por alinhar e agradecer os aportes financeiros de Vorcaro.

Eduardo Bolsonaro
Irmão de Flávio e filho do ex-presidente, Eduardo assinou o contrato da produção cinematográfica como produtor-executivo com plenos poderes para gerenciar o fluxo financeiro do projeto. Teve o mandato de deputado federal cassado por excesso de faltas e hoje reside nos EUA. O dinheiro enviado por Daniel Vorcaro ao exterior foi depositado em um fundo administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo.
Operadores e Intermediários

Fabiano Zettel
Cunhado e principal operador financeiro de Daniel Vorcaro. Ex-pastor da Igreja Batista da Lagoinha e doador de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, Zettel gerenciava o fluxo de pagamentos para o filme "Dark Horse". A engenharia financeira utilizava a empresa Entre Investimentos e Participações para enviar as quantias ao fundo gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Thiago Miranda
Sócio-fundador do Portal Leo Dias, Miranda atuou como o braço de articulação e relações públicas do grupo. Foi o intermediário oficial entre a equipe técnica do filme e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de ter organizado reuniões estratégicas em Brasília para aproximar o investidor do senador Flávio Bolsonaro.

Karina da Gama
Única sócia da Go Up Entertainment, empresa responsável pela execução de "Dark Horse", Karina assumiu a função de produtora-executiva sem possuir qualquer experiência prévia no setor audiovisual. Paralelamente, sua ONG, o Instituto Conhecer Brasil, firmou um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura de São Paulo para instalação de redes Wi-Fi, setor no qual também não tinha histórico de atuação. Karina trabalhou na campanha de Mario Frias e recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado para projetos de inclusão digital.
O desenrolar do caso "Dark Horse" joga luz sobre os mecanismos de financiamento privado de projetos de forte apelo ideológico e o uso de canais internacionais para a movimentação de recursos sob investigação. Acompanharemos os desdobramentos jurídicos e as manifestações oficiais de todas as defesas citadas.

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