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Servidor do HGR é preso em flagrante após cobrar R$ 600 por exames gratuitos do SUS em Boa Vista.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Eliane Gonçalves e mais dois agentes que atuaram na operação
Eliane Gonçalves e mais dois agentes que atuaram na operação

Operação conjunta entre Sesp e Sesau resultou na prisão de um técnico em radiologia; secretária de Segurança Pública se disfarçou de médica para efetuar o flagrante de forma discreta dentro da unidade hospitalar.


BOA VISTA — Uma operação integrada entre a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) resultou na prisão em flagrante de um servidor público lotado no Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento (HGR). Ele é suspeito de integrar um esquema criminoso que cobrava ilegalmente por exames de ressonância magnética, procedimento que é ofertado de forma 100% gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


De acordo com as investigações, o servidor, que atua como técnico em radiologia, operava a fraude há pelo menos seis meses, período em que teria feito mais de 30 vítimas. O esquema contava com o apoio de dois intermediários, responsáveis por abordar os pacientes na unidade e negociar o acesso ao exame mediante o pagamento de R$ 600, realizado via PIX.


O flagrante e a estratégia disfarçada

A ação policial foi coordenada diretamente pela cúpula da segurança do Estado e chamou a atenção pela estratégia utilizada para evitar tumultos dentro do principal hospital de Roraima. A secretária de Segurança Pública, Eliane Gonçalves, utilizou vestimentas médicas para acessar o setor de radiologia sem despertar a suspeita do acusado.


“Utilizei uma vestimenta como se eu fosse uma médica para ter acesso a ele sem despertar curiosidade ou alertar o acusado. Os três agentes que me acompanhavam também estavam vestidos à paisana”, explicou a secretária.


Para garantir que o atendimento à população não fosse interrompido, a equipe policial acionou a chefia do setor e aguardou a chegada de um servidor substituto para assumir o guichê antes de efetuar a condução do suspeito. O técnico em radiologia confessou a prática ilícita no momento da abordagem. Os outros dois intermediários já foram identificados e tiveram as prisões preventivas solicitadas à Justiça.


Sesau promete endurecer fiscalização

A secretária adjunta da Sesau, Juliana Gomes, informou que a denúncia partiu de uma paciente que havia acabado de realizar o pagamento a um dos intermediários e foi conduzida pelo técnico até a sala de exames. Assim que a gestão tomou conhecimento, acionou imediatamente os órgãos de segurança.


A Sesau classificou o caso como de extrema gravidade, destacando o impacto direto na fila de regulação do SUS, o que prejudica pacientes em estados críticos.


“Casos como esse podem comprometer o acesso de pacientes que necessitam de atendimento prioritário, como pessoas em tratamento oncológico ou que sofreram AVC”, pontuou Juliana Gomes, reforçando que nenhum procedimento da rede pública pode ser comercializado. Em nota, a secretaria garantiu que irá intensificar as ações de fiscalização e auditoria interna em todas as unidades de saúde do estado para coibir novas práticas criminosas.


O servidor público foi encaminhado para as providências legais e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Roraima.


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