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Roraima em Alerta: Estiagem Impulsionada pelo El Niño e Mais de 2 mil Focos de Calor Ameaçam Lavouras e Recursos Hídricos.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 11 horas
3 min de leitura
Queimadas na Terra Indígena São Marcos, em Roraima (Foto: Brigadistas indígenas / CIR).
Queimadas na Terra Indígena São Marcos, em Roraima (Foto: Brigadistas indígenas / CIR).

BOA VISTA — Roraima registrou 2.107 focos de calor entre o início de janeiro e o início de outubro de 2026, superando em 36,9% o total contabilizado durante todo o ano de 2025 (1.539 focos). Os dados, provenientes do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), acenderam um sinal de alerta vermelho no estado, que já se encontra em situação oficial de emergência devido à severa estiagem.   


Apenas nos primeiros dez dias de outubro, foram identificados 132 focos no estado. O mês de março se mantém, até o momento, como o período mais crítico do ano, quando Roraima contabilizou 602 focos de calor.   


O Impacto do El Niño no Norte do País

O avanço desenfreado do fogo e a escassez de chuvas estão diretamente atrelados à atuação do fenômeno climático El Niño. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera drasticamente os padrões globais de circulação atmosférica, inibindo a formação de nuvens e reduzindo os índices pluviométricos no extremo norte da Amazônia.   


Em Roraima, o resultado dessa alteração é o ressecamento rigoroso da vegetação do lavrado e das áreas florestais, transformando o solo em um verdadeiro "paliteiro" altamente combustível para incêndios.   


A crise afeta de forma direta os principais mananciais da região. O nível do Rio Branco, principal fonte de abastecimento de Boa Vista, sofreu uma retração drástica de 38 centímetros em apenas um mês, atingindo a marca de apenas 60 centímetros no início de outubro. Em resposta ao desabastecimento iminente, a Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) intensificou a perfuração de novos poços artesianos e o envio de caminhões-pipa para a capital e municípios do interior.   


Prejuízos na Agricultura e Histórico de Incêndios

A seca prolongada também atinge com força o setor produtivo regional. Setores agrícolas de Roraima reportam uma queda histórica entre 30% e 50% na safra de 2026. O prejuízo foi consolidado pela falta de chuvas em momentos decisivos do ciclo produtivo, afetando o crescimento das lavouras. Com a estiagem prevista para se estender até os primeiros meses de 2027, as perdas no campo preocupam produtores e técnicos da área socioambiental.   


Historicamente, Roraima vivencia seus picos mais dramáticos de queimadas nos anos em que o El Niño se manifesta com força. Episódios emblemáticos na série histórica do INPE mostram picos de focos de calor nos anos de 1997/1998, 2003, 2016 e no recorde de 2024, demonstrando a recorrência e a gravidade com que os eventos climáticos alteram o cotidiano da população roraimense.   


Editorial: Responsabilidade Coletiva para Salvar Roraima

Se as condições climáticas impostas pelo El Niño criam o ambiente propício para a seca, a faísca que desencadeia a destruição quase sempre nasce da mão humana.   


A prática indevida de queimadas para limpeza de roçados, o descarte de lixo inflamável e o uso descontrolado do fogo nos quintais urbanos e rurais transformam o período de estiagem em um risco iminente para todos. A fumaça que encobre as cidades compromete a saúde de crianças e idosos, além de devastar a biodiversidade do nosso estado.   


Enquanto o poder público busca reforçar as ações de emergência e combate ao fogo, a conscientização individual torna-se a nossa principal ferramenta de defesa. Evitar o uso do fogo, proteger nossas nascentes e denunciar focos irregulares são deveres de cada roraimense para que possamos atravessar mais essa crise climática com preservação e respeito à vida.   


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