MPRR denuncia 10 influenciadores investigados por esquema de jogos de azar e movimentação de R$ 67,5 milhões em Roraima.
- Hermes Vissotto

- há 18 horas
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BOA VISTA — O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), por meio da Promotoria de Justiça Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Capitais, ofereceu denúncia contra dez influenciadores digitais investigados por integrar um esquema de exploração e divulgação de jogos de azar ilegais. Entre as acusações apresentadas nesta sexta-feira (4), três dos envolvidos também respondem pelo crime de estelionato.
De acordo com o MPRR, o grupo movimentou cerca de R$ 67,5 milhões entre janeiro de 2023 e outubro de 2024. Os repasses eram realizados por empresas intermediadoras de pagamento vinculadas às plataformas de apostas eletrônicas clandestinas.
Os denunciados no processo são:
Adrielly Vivianny Araújo de Jesus
Dione dos Santos da Silva
Raniely Silva Carvalho
Patrik Adhan dos Santos Ribeiro
Amanda Lourenço Faria
Laís Ramos Gomes da Silva
Victoria Paixão Barros
Vitória Reis da Silva
Juliana Lima do Nascimento
Gildázio Sobrinho Santos Cardoso
Modus operandi e uso de "contas demo"
As investigações apontaram que os influenciadores utilizavam suas redes sociais para atrair seguidores com a promessa de lucros expressivos e rápidos. Em publicações no formato de stories, reels e vídeos, eles exibiam aquisições de veículos, imóveis, viagens e bens de alto valor, disponibilizando links personalizados para cadastro e depósitos nas plataformas.
Um dos pontos centrais da fraude era a utilização de contas de demonstração ("contas demo") fornecidas pelas próprias plataformas. Nessas contas, os influenciadores simulavam ganhos irreais para induzir o público ao erro. Após efetuarem os depósitos, as vítimas visualizavam saldos fictícios e eram estimuladas a continuar apostando. Contudo, ao solicitarem o saque de valores expressivos, os usuários enfrentavam bloqueios ou recusa definitiva para a retirada dos fundos.
Estrutura da organização criminosa
Segundo o Ministério Público, a associação criminosa operava de forma dividida em três núcleos interdependentes:
Núcleo Operacional e Empresarial: Responsável pela administração das plataformas clandestinas, gestão financeira e articulação com as intermediadoras de pagamento.
Núcleo de Divulgação e Captação: Composto pelos influenciadores digitais, incumbidos de realizar a promoção dos jogos e captação de novos apostadores.
Núcleo de Ocultação Financeira: Focado na dissimulação, ocultação e lavagem da origem e propriedade dos valores arrecadados no esquema.
Os recursos obtidos no esquema eram integrados ao patrimônio dos envolvidos por meio do uso de empresas de fachada, laranjas e a compra de artigos de luxo, imóveis, veículos e procedimentos estéticos.
Desdobramento da Operação Mantus
A denúncia do órgão ministerial é decorrente dos desdobramentos da Operação Mantus, deflagrada em 27 de abril pela Polícia Civil de Roraima, por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
Na ocasião da operação, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva (sete em Roraima e um em Goiás), além de 11 mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens móveis e imóveis, bem como o bloqueio cautelar de até R$ 68 milhões em contas bancárias e aplicações financeiras dos investigados.
Crimes imputados
Os dez influenciadores foram denunciados pelos seguintes crimes:
Exploração de jogos de azar
Afirmação falsa ou enganosa sobre produtos ou serviços
Indução do consumidor a erro
Crimes contra a economia popular
Associação criminosa
Lavagem de dinheiro
Estelionato (imputado a três dos investigados)

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