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MPF cobra R$ 1,7 bilhão de empresário e mineradora por garimpo ilegal na Terra Yanomami.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 8 horas
2 min de leitura
Cassiterita, também conhecida como 'ouro negro', e o ouro. — Foto: PRF/Divulgação e AP Photo/Edmar Barros/Arquivo
Cassiterita, também conhecida como 'ouro negro', e o ouro. — Foto: PRF/Divulgação e AP Photo/Edmar Barros/Arquivo

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação na Justiça Federal cobrando R$ 1,7 bilhão em indenizações do empresário e garimpeiro Rodrigo Martins de Mello (conhecido como Rodrigo Cataratas), de mais cinco pessoas e de quatro empresas, incluindo a mineradora White Solder Metalurgia e Mineração. O grupo é réu por integrar um esquema sofisticado de exploração, transporte e lavagem de ouro e cassiterita extraídos ilegalmente do território indígena Yanomami.  


A ação civil pública foi apresentada pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, unidade especializada no combate à mineração ilegal nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia.  



Como funcionava a organização criminosa

De acordo com as investigações, decorrentes da Operação Forja de Hefesto (deflagrada em 2023), o esquema operou intensamente entre março de 2021 e dezembro de 2022 com uma clara divisão de tarefas:  


  • Núcleo Extrativista e de Campo: Gerenciado na região do Pupunha por Jidalias dos Anjos Pinto, Filipe José da Silva Galvão, Nelcides de Almeida Mello e Valdeci Aparecido Cardoso. Eles controlavam a abertura de cavas com maquinário pesado, a extração de minério e a logística em pistas de pouso clandestinas.  

  • Núcleo Logístico e de Transporte: Coordenado por Rodrigo Cataratas, que utilizava suas empresas (Cataratas Poços Artesianos e Tarp Táxi Aéreo) para transporte clandestino de insumos, combustível, garimpeiros e do próprio minério. Segundo o MPF, Rodrigo recebeu mais de R$ 19 milhões através de contas ligadas ao esquema.  

  • Núcleo Financiador e Comercial: Liderado por Alessandro Saccoman Torrente (sócio da White Solder), responsável pelo financiamento, fornecimento de máquinas pesadas e compra de grandes volumes de cassiterita extraída ilegalmente.  


Esquema de lavagem do minério e do dinheiro

Para dar aparência de legalidade à cassiterita retirada da Terra Yanomami, o grupo utilizava a filial em Boa Vista da cooperativa Coopertin. O minério era registrado falsamente por meio de Guias de Utilização e Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) vinculadas a áreas em Iracema (RR) que jamais foram exploradas.  


Com as notas fiscais fraudulentas emitidas, a cassiterita era transportada até a metalúrgica White Solder, em Ariquemes (RO), onde era fundida em lingotes de estanho com certificação de origem supostamente legal e vendida no Brasil e no exterior.  

O dinheiro das vendas retornava através de contas de passagem e "laranjas" sob rubricas de "spread" ou "benefícios", sendo posteriormente incorporado ao patrimônio dos integrantes.  


Situação Judicial

Os pedidos liminares e de mérito apresentados pelo MPF ainda serão analisados pela Justiça Federal, prazo em que os réus poderão apresentar suas defesas.  


Até o momento do fechamento da reportagem, os citados não haviam se manifestado oficialmente.


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