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Financial Times destaca "radicalismo e disfunção" da família Bolsonaro em reportagem de capa.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 48 minutos
2 min de leitura
Capa Financial Time.
Capa Financial Time.

BOA VISTA — O influente jornal britânico Financial Times dedicou a capa da sua revista de fim de semana a uma análise aprofundada sobre o panorama político, os escândalos financeiros e as disputas internas de sucessão na família do ex-presidente Jair Bolsonaro.   


A publicação, assinada pelo chefe do escritório do jornal no Brasil, Michael Pooler, retrata o clã como uma estrutura "tão radical quanto disfuncional", comparando a sua dinâmica política e mediática à da família Trump nos Estados Unidos.   


A Luta pela Herança Política e as Fissuras Internas

A reportagem destaca a disputa pelo espólio político da direita brasileira. Em junho, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs publicamente divergências ao acusar o enteado Flávio Bolsonaro de "humilhação" e "facada nas costas" devido a acordos partidários. Embora tenham ensaiado uma reconciliação pública semanas depois, aliados próximos, como o pastor Silas Malafaia, confirmam que o cerne do conflito é a definição de quem continuará a carregar a liderança do nome Bolsonaro.   


Com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e inelegível, a família procura manter a sua influência nacional através da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. O jornal descreve a dinâmica familiar marcada pela reverência ao patriarca, apelidado no texto de "rei-sol em declínio", que se habituou a tratar os filhos por numerais ("01", "02" e "03").   


Perfis, Escândalos e Futuro Político

  • Flávio Bolsonaro ("01"): Apresentado como o perfil "moderado" do clã, o senador vê a sua pré-candidatura rodeada por polémicas. A reportagem cita o vazamento de áudios em que Flávio solicitava recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro (envolvido na crise do Banco Master) para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.   

  • Carlos Bolsonaro ("02") e Eduardo Bolsonaro ("03"): Carlos permanece como o estrategista digital e "pit bull" da família. Eduardo, por sua vez, reside nos Estados Unidos, tendo tido o mandato cassado após atuações junto de autoridades americanas.   

  • Michelle Bolsonaro: Considerada uma "arma secreta" e apontada por pesquisas como uma figura de forte apelo eleitoral, concorre ao Senado pelo Distrito Federal.   


Cenários em Jogo

De acordo com o Financial Times, o resultado das próximas eleições definirá o destino do clã:

  1. Vitória de Flávio Bolsonaro: Consolidaria uma dinastia política e traria pressão por anistia ampla aos envolvidos nos atos antidemocráticos, abrindo eventual crise institucional.   

  2. Derrota nas urnas: Poderá assinalar, como admitido pelo próprio ex-presidente a aliados, o "fim da era Bolsonaro", abrindo espaço para nomes da direita tradicional e governadores regionais.   

  3. Ascensão de Michelle: Caso os filhos não alcancem êxito e Michelle conquiste a vaga no Senado, a ex-primeira-dama passará a deter o mandato de maior projeção nacional da família.   

Fonte: Financial Times / BBC News Brasil


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