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Em meio a atritos com os EUA, Lula estuda reunião com prefeito de Nova York durante Assembleia Geral da ONU.

Foto do escritor: Hermes Vissotto
Hermes Vissotto
há 3 horas
3 min de leitura

Presidente brasileiro embarca para Nova York para discursar na ONU; potencial encontro com Zohran Mamdani, principal opositor local de Donald Trump, coloca em xeque a diplomacia e as negociações comerciais do país.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca no próximo domingo (20) rumo a Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O epicentro das atenções diplomáticas do governo brasileiro no evento, contudo, concentra-se na avaliação dos prós e contras de um encontro bilateral com o prefeito nova-iorquino, o socialista democrata Zohran Mamdani.  


Zohran Mamdani faz o juramento ao lado de sua esposa Rama Duwaji e da procuradora-geral de Nova York Letitia James, na Estação Old City Hall - 01/01/2026.
Zohran Mamdani faz o juramento ao lado de sua esposa Rama Duwaji e da procuradora-geral de Nova York Letitia James, na Estação Old City Hall - 01/01/2026.

Mamdani, de 34 anos, assumiu o cargo em janeiro deste ano, tornando-se o prefeito mais jovem da cidade em mais de um século e despontando como uma das principais vozes de oposição às políticas do presidente norte-americano Donald Trump, em especial no que tange a pautas migratórias e atuações de agentes federais.  


Bastidores e ajustes de protocolo

A articulação para a reunião passou por adequações no protocolo diplomático. Inicialmente, a equipe de Mamdani convidou o presidente brasileiro para participar de um evento voltado a lideranças progressistas internacionais. A resposta do governo brasileiro foi negativa, fundamentada na hierarquia diplomática de que chefes de Estado recebem autoridades locais, e não o oposto.  


Diante da recusa, a equipe do prefeito propôs uma audiência bilateral privada. A agenda está sendo desenhada para ocorrer na manhã de segunda-feira (21) na residência oficial do representante permanente do Brasil junto à ONU, o embaixador Sérgio Danese, onde Lula estará hospedado.  


Riscos diplomáticos e contrapontos políticos

A eventual realização do encontro divide opiniões na diplomacia brasileira e na ala política do governo:  

  • Tensão diplomática com a Casa Branca: Analistas e membros do governo ponderam que uma foto ao lado do principal antagonista de Trump em Nova York pode ser interpretada pela Casa Branca como uma provocação direta. A relação entre os dois países já passa por um momento delicado, marcado por sanções econômicas, a revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti e disputas comerciais.  

  • Impacto em acordos e tarifas: Integrantes do governo temem que o ruído afete as conversas bilaterais para tratar das sobretaxas e tarifas impostas pelos EUA. Discussões formais sobre o tema estão previstas para a reunião de ministros do Comércio do G20, que ocorrerá em Milwaukee entre o final de setembro e início de outubro, com a presença do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do ministro Márcio Elias Rosa.  

  • Conexão progressista: Por outro lado, defensores da agenda argumentam que a reaproximação fortalece os laços do Brasil com novas lideranças da esquerda global. Além disso, ressalta-se que o próprio Trump já se reuniu com Mamdani após a eleição municipal, o que afastaria o caráter estritamente provocativo da reunião.  


Agenda de Lula na ONU e tom do discurso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, discursa no Debate Geral da 80ª sessão da Assembleia Geral.| ONU/Loey Felipe
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, discursa no Debate Geral da 80ª sessão da Assembleia Geral.| ONU/Loey Felipe

A passagem de Lula pelos Estados Unidos será breve. Chegando na noite de domingo (20), o presidente cumprirá agendas bilaterais na segunda-feira (21), dia em que também concederá entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN internacional, e realizará o discurso de abertura da Assembleia Geral na manhã de terça-feira (22), retornando ao Brasil logo em seguida. Não há previsão de reunião bilateral reservada entre Lula e Donald Trump.  


Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o discurso de Lula na ONU focará em:  

  1. Defesa do multilateralismo: Reforço das vias diplomáticas internacionais em detrimento de ações unilaterais.  

  2. Não interferência externa: Recado indireto aos atritos recentes e ao cenário político nacional.  

  3. Resolução de conflitos e paz: Defesa do direito internacional humanitário e de negociações de paz globais.  

  4. Combate ao crime organizado: Apresentação das iniciativas do Brasil no combate a facções criminosas e cooperações de inteligência na América Latina.  


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