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Chuvas isolam comunidades e Defesa Civil estima 49 mil pessoas impactadas em Roraima.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 5 de jun.
  • 3 min de leitura

Nove municípios já decretaram situação de emergência; Normandia e Uiramutã concentram os cenários mais críticos com estradas bloqueadas e pontes destruídas.


BOA VISTA - As fortes chuvas que atingem Roraima nos últimos dias já impactaram diretamente pelo menos 49 mil pessoas em sete dos 15 municípios do estado. O balanço, divulgado pela Defesa Civil Estadual, acende o alerta para a infraestrutura rodoviária e para o abastecimento de comunidades isoladas. Até o momento, nove cidades já formalizaram decretos de situação de emergência, e outras quatro estão com os processos administrativos em andamento.


A situação mais grave se concentra na região Norte do estado, nos municípios de Normandia e Uiramutã, onde 46 comunidades indígenas estão isoladas devido aos alagamentos de estradas, rompimento de bueiros e queda de pontes. Além do bloqueio de acessos, as localidades sofrem com a falta de água potável, interrupções no fornecimento de energia elétrica e perdas expressivas na produção rural.


Bloqueios em estradas e pontes destruídas

De acordo com o monitoramento da Defesa Civil, foram mapeados 44 pontos críticos em estradas e rodovias estaduais e federais. Desses, seis apresentam bloqueio total e quatro estão parcialmente interditados.


Em Bonfim, Normandia e Uiramutã, cerca de 12,1 mil pessoas perderam completamente o acesso terrestre rotineiro. No Uiramutã, a sede do município ficou temporariamente isolada após a força da água arrastar a estrutura de uma ponte. O governo estadual abriu uma rota provisória ("ponte molhada") na RR-171 para restabelecer o tráfego de veículos, mas técnicos alertam que a via corre risco de novo fechamento caso o volume de chuva continue elevado.


O estado permanece sob Alerta Amarelo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão indica a continuidade de chuvas intensas, que podem variar entre 20 e 30 mm/h (ou até 50 mm por dia), acompanhadas de ventos fortes de até 60 km/h.


O cenário nos municípios mais afetados

Uiramutã

  • População afetada: Mais de 26,9 mil pessoas entre a sede e 39 comunidades.

  • Ações de emergência: O Corpo de Bombeiros atua na remoção dos destroços da ponte arrastada pela correnteza. Uma operação de baldeação de pedestres foi montada na ponte sobre o rio Cambarú (115 metros) devido ao bloqueio total da BR-433.

  • Apoio logístico: O Exército Brasileiro disponibilizou caminhões de grande porte para o envio de mantimentos. A Casa Militar foi acionada para fornecer suporte aéreo de transporte e resgate para o Polo Base Serra do Sol, onde 14 comunidades estão em isolamento total.


Normandia

  • População afetada: 17,1 mil pessoas na sede e em sete comunidades. O transbordamento dos rios Maú e Cotingo desalojou 23 famílias e danificou dezenas de casas de adobe.

  • Ações de emergência: Equipes realizam a baldeação de moradores nas comunidades Macaco, Serra Grande, Jibóia, Santa Cruz e Lameiro. Estão sendo distribuídas cestas básicas e filtros ecológicos. Uma equipe de saúde do DSEI Leste, que ficou isolada pelo Rio Maú, aguarda resgate por via terrestre.


Bonfim

  • População afetada: 3,5 mil pessoas em seis comunidades indígenas. Três pontes foram levadas pelas águas nas regiões do Jacamim, Marupá e Camaleão.

  • Ações de emergência: A Defesa Civil Estadual enviou embarcações, motores de popa e coletes salva-vidas para garantir a travessia segura e o suporte logístico na Vicinal Jacamim.


Lista de municípios em emergência

Até o fechamento deste relatório, as cidades que oficializaram a situação de emergência são:

  • Alto Alegre

  • Amajari

  • Bonfim

  • Iracema

  • Mucajaí

  • Normandia

  • Rorainópolis

  • São Luiz do Anauá

  • Uiramutã

Os municípios de Caroebe e São João da Baliza também registram estragos e estão em fase de elaboração dos decretos.


Próximos passos do plano de resposta

A estratégia integrada das forças de segurança e assistência prevê o levantamento completo dos danos materiais para dar entrada nos pedidos de ajuda financeira junto ao Governo Federal. Enquanto o nível dos rios não baixa para permitir o início das obras definitivas de reconstrução de pontes e asfalto, as equipes prioritárias focam no resgate de famílias ilhadas e no abastecimento contínuo de água potável, mantimentos e filtros de captação nas áreas rurais.


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