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Avanço na Saúde Pública: SUS Inicia Testes com "Canetas Emagrecedoras" em Projeto-Piloto no RS.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 27 de jun.
  • 2 min de leitura
Medicamento se chama Ozivy e é uma versão sintética do mesmo princípio ativo do Ozempic  • Pavel Danilyuk/Pexels
Medicamento se chama Ozivy e é uma versão sintética do mesmo princípio ativo do Ozempic  • Pavel Danilyuk/Pexels

BOA VISTA - Em uma iniciativa pioneira, o Ministério da Saúde autorizou o início do projeto-piloto Real-Bari, que vai avaliar o impacto clínico, a efetividade e os custos da semaglutida, princípio ativo das populares "canetas emagrecedoras", na rede pública de saúde.


O estudo de caso está sendo conduzido no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e acompanhará 250 pacientes ao longo de dois anos.


O Perfil dos Pacientes e Critérios de Seleção

O projeto é voltado para um público restrito e de alta complexidade. Os participantes já realizam acompanhamento no GHC e apresentam quadros de obesidade grave ou associada a outras morbidades. Para integrar o estudo, o protocolo exige:

  • Histórico: Diagnóstico de obesidade documentado há, pelo menos, 12 meses.

  • Tratamento Prévio: Falha comprovada no tratamento clínico convencional (como dietas estruturadas e atividade física regular) por no mínimo dois meses.

  • Autonomia: Capacidade de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com o auxílio direto e independente de um cuidador.


Uma Alternativa à Cirurgia Bariátrica

A escolha do Grupo Hospitalar Conceição para o projeto-piloto reflete uma realidade urgente na saúde pública. Dados do hospital revelam que 91% dos seus pacientes com obesidade apresentam o quadro mórbido da doença. No entanto, apenas 47% deles possuem condições clínicas ou indicações seguras para a realização da cirurgia bariátrica.


Para os 53% restantes, que enfrentam graves riscos à saúde e poucas alternativas de tratamento eficazes, a introdução dos análogos de GLP-1 (classe do medicamento) surge como uma janela de esperança e uma terapia significativamente menos invasiva.


Avaliação de Custos e Expansão Futura

Durante os 24 meses de duração, os pesquisadores vão monitorar indicadores essenciais, como o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida, exames clínicos laboratoriais e as condições pós-operatórias dos pacientes. O ponto central, contudo, será a análise de viabilidade econômica para entender como o medicamento pode ser adaptado à escala financeira do SUS.


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o pioneirismo do Brasil e sinalizou que o entendimento dessa tecnologia pode abrir portas para o tratamento de outras condições crônicas e até mesmo no suporte a tratamentos oncológicos no futuro.


Financiamento do Estudo: A pesquisa é realizada sem custos diretos de aquisição para o Ministério da Saúde neste primeiro momento. Os recursos foram transferidos ao GHC pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), provenientes de um aporte financeiro da própria fabricante do medicamento.


Os resultados do programa Real-Bari servirão de base para que a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) avalie, no futuro, a inclusão definitiva do medicamento na farmácia básica do SUS em todo o território nacional.


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