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Anatel libera Starlink no celular: O que muda com o sinal de satélite direto no smartphone.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

BOA VISTA - O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou oficialmente a destinação de faixas de radiofrequência para o serviço conhecido como Direct-to-Device (D2D). Na prática, a decisão abre caminho para a Starlink (empresa de internet via satélite da SpaceX) conectar-se diretamente a celulares compatíveis, eliminando de vez a necessidade de antenas externas ou kits de recepção tradicionais.


Embora a liberação regulatória seja um marco importante, o serviço não estará disponível de forma imediata. Entenda a seguir como a tecnologia vai funcionar, os prazos estimados e o impacto real dessa novidade no dia a dia dos usuários e no setor do agronegócio.


Torres de celular no espaço: Como funciona a Starlink no celular?

Até então, o acesso à internet da Starlink exigia uma antena fixa instalada em residências ou veículos. Com a nova regulamentação, os satélites de órbita baixa passarão a atuar como verdadeiras "torres de celular no espaço".


Quando o usuário estiver em uma região sem sinal das redes móveis tradicionais, o smartphone poderá recorrer automaticamente à conexão por satélite para manter a comunicação ativa.


As faixas de frequência aprovadas pela Anatel para operação secundária incluem:

  • 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz;

  • 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz.


Por operar em caráter secundário, a prioridade de tráfego continua pertencendo às redes móveis tradicionais, agindo a rede de satélites como uma camada complementar de cobertura.


Expectativa vs. Realidade: Não espere velocidade de 5G logo de início

Para quem espera navegar nas redes sociais ou assistir a vídeos em alta definição no meio de uma floresta ou em estradas isoladas, a Anatel faz um alerta: a experiência inicial será limitada.


"A tendência é que a tecnologia comece com funções mais básicas, como envio de mensagens, localização e comunicação emergencial".


Apenas com o amadurecimento técnico da infraestrutura e dos aparelhos é que o sistema evoluirá para a realização de chamadas de voz e tráfego robusto de dados.


Parceria obrigatória com operadoras locais

Um dos pontos mais importantes determinados pela agência reguladora é que a Starlink, ou qualquer outra empresa de satélites, não poderá vender o serviço de forma isolada diretamente ao consumidor final.


A operação exige, obrigatoriamente, uma integração com as operadoras de telefonia móvel que já possuem direito de uso dessas frequências no Brasil. Esse modelo repete estratégias internacionais, como ocorre nos Estados Unidos, onde a Starlink atua em parceria com a T-Mobile.



Uma revolução para o Agronegócio e áreas remotas

Se nas capitais a novidade muda pouco, no interior do país o impacto promete ser revolucionário. O Brasil ainda convive com imensos vazios de cobertura em rodovias, áreas de preservação e propriedades rurais.


Para o agronegócio, o serviço direto no smartphone deve transformar a rotina do campo. Produtores, motoristas de escoamento de safra, veterinários e técnicos agrícolas ganharão uma alternativa de comunicação em pontos cegos de sinal. Isso trará reflexos diretos na segurança das estradas rurais, agilidade em chamados de emergência e facilidade no monitoramento de dados logísticos, climáticos e de mercado em tempo real.


Quando chega e quanto vai custar?

Ainda não há uma data oficial para a estreia comercial da tecnologia nas telas dos brasileiros. A Anatel estipulou um prazo de até 90 dias para que a sua Superintendência de Outorgas detalhe as especificações técnicas da implementação. Após essa etapa, as empresas poderão avançar com acordos comerciais, testes práticos e a homologação dos smartphones compatíveis.


No quesito financeiro, a expectativa do mercado é de que o serviço estreie de forma gratuita e temporária dentro de pacotes já existentes das operadoras parceiras, permitindo que os clientes testem a viabilidade e a estabilidade da tecnologia. Contudo, à medida que novos recursos de voz e dados em larga escala forem liberados, a tendência é que a conectividade via satélite passe a integrar planos premium ou pacotes adicionais tarifados.


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