Adeus ao Mestre do Leblon: O Último Capítulo de Manoel Carlos.
- Hermes Vissotto

- há 4 dias
- 3 min de leitura

O Brasil amanheceu com o coração mais apertado neste sábado, 10 de janeiro de 2026. O homem que transformou o cotidiano em poesia, que fez do bairro do Leblon o cenário mais desejado do país e que deu voz às dilemáticas "Helenas", nos deixou. Manoel Carlos, ou simplesmente Maneco, faleceu aos 92 anos, no Rio de Janeiro.
O autor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana. Embora a família tenha optado pela discrição quanto ao horário exato e detalhes clínicos, sabe-se que Maneco lutava bravamente contra as complicações da Doença de Parkinson, diagnosticada há cerca de seis anos. Ele partiu cercado pelo afeto daqueles que o amavam, deixando uma lacuna impossível de preencher na cultura brasileira.
O Arquiteto de Emoções: A Trajetória na TV
Manoel Carlos não escrevia apenas novelas; ele escrevia crônicas da vida real. Sua marca registrada era o "realismo cotidiano", onde os grandes dramas surgiam em mesas de café da manhã fartas e diálogos aparentemente banais, mas profundamente humanos.
Novelas Escritas por Manoel Carlos (como autor principal):
Maria, Maria (1978)
A Sucessora (1978)
Baila Comigo (1981)
Sol de Verão (1982)
Novo Amor (1986 - Manchete)
Felicidade (1991)
História de Amor (1995)
Por Amor (1997)
Laços de Família (2000)
Mulheres Apaixonadas (2003)
Páginas da Vida (2006)
Viver a Vida (2009)
Em Família (2014)
As Obras que Mudaram o Brasil:

Por Amor (1997): Quem não se lembra do sacrifício de Helena (Regina Duarte) ao trocar seu bebê vivo pelo neto morto para poupar a filha? Um dilema ético que parou o país.
Laços de Família (2000): A luta de Camila (Carolina Dieckmann) contra a leucemia e o gesto de amor de Helena (Vera Fischer) ao engravidar para salvar a filha emocionou gerações.
Mulheres Apaixonadas (2003): Uma obra-prima social que impulsionou a aprovação do Estatuto do Idoso após as cenas de maus-tratos contra os personagens Leopoldo e Flora.
A Vida por Trás das Câmeras: O Menino do Pari
Embora seja o "embaixador do Leblon", Manoel Carlos Gonçalves de Almeida nasceu bem longe do mar: em São Paulo, no bairro operário do Pari, em 14 de março de 1933.
Infância Rebelde: Maneco era uma criança "incontrolável". Aos 11 anos, seu pai o enviou para um colégio interno de padres agostinianos em Bragança Paulista. Lá, entre castigos e leituras, ele forjou sua disciplina intelectual.
O Grupo de Elite: Antes da fama, ele fazia parte dos "Adoradores de Minerva", um grupo de jovens intelectuais que se reunia na Biblioteca Mário de Andrade. Sabe quem era sua colega de leituras? Ninguém menos que Fernanda Montenegro.
Carreira Precoce: Maneco nunca se formou em uma faculdade tradicional; ele foi um autodidata. Começou como ator na TV Tupi em 1951, apenas um ano após a chegada da TV no Brasil. Antes das novelas, ele foi diretor do icônico Família Trapo na Record e um dos criadores do Fantástico na Globo.
Fatos Curiosos que Poucos Sabem

O Doutor Moretti: Em quase todas as suas novelas existe um médico chamado "Dr. Moretti". Isso não é coincidência, mas uma homenagem ao médico real da família de Maneco, que cuidou dele por cinco décadas.
A Tragédia dos Filhos: Por trás do autor solar, havia um homem marcado pela dor. Maneco perdeu três de seus cinco filhos: Ricardo (em 1988), Manoel Carlos Jr. (em 2012) e Pedro (em 2014). Ele dizia que escrever era sua forma de sobreviver às perdas.
O Medo de Avião: Maneco detestava voar. Por isso, suas tramas quase sempre começavam com viagens internacionais (que ele pesquisava obsessivamente em livros e guias), mas se estabilizavam rapidamente no solo firme do Rio de Janeiro.
Hoje, o Leblon está em silêncio. As Helenas choram, mas o legado de Manoel Carlos permanece vivo em cada mesa de jantar onde uma família senta para conversar, exatamente como ele tanto gostava de escrever.

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