top of page

A Sonda Europa Clipper Revela o Intruso Interestelar 3I/ATLAS.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 21 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de dez. de 2025



Enquanto a comunidade científica aguardava ansiosamente pelo início da missão da Europa Clipper nas luas de Júpiter, o destino decidiu oferecer um "bónus" cósmico. No final de 2025, a sonda capturou dados sem precedentes de um visitante vindo de fora do nosso Sistema Solar: o cometa interestelar 3I/ATLAS.


Um Encontro de Oportunidade

A Europa Clipper não foi desenhada para caçar cometas. Sua missão principal é investigar se a lua Europa possui condições habitáveis sob sua crosta de gelo. No entanto, no dia 6 de novembro de 2025, a geometria orbital colocou o cometa 3I/ATLAS no campo de visão privilegiado do seu Espectrógrafo Ultravioleta (UVS).


Diferente dos telescópios na Terra, que precisam lidar com a distorção da atmosfera, a Clipper observou o cometa do vácuo puro do espaço profundo, a cerca de 164 milhões de quilómetros de distância do objeto.


Até hoje, conhecemos apenas três objetos que confirmadamente vieram de outras estrelas:

  1. Oumuamua (2017): Um objeto rochoso e alongado.

  2. 2I/Borisov (2019): O primeiro cometa interestelar clássico.

  3. 3I/ATLAS (2025): O mais novo e, possivelmente, o mais revelador.

Diferente dos cometas do nosso sistema (como o Halley), o 3I/ATLAS viaja a uma velocidade hiperbólica de 61 km/s. Ele não está "preso" à gravidade do nosso Sol; ele está apenas de passagem, cruzando a nossa vizinhança antes de se perder novamente na imensidão da Via Láctea.


Esta imagem composta do cometa interestelar 3I/ATLAS foi capturada em 6 de novembro de 2025 pelo instrumento UVS a bordo da sonda Europa Clipper da NASA, a uma distância de cerca de 164 milhões de km (103 milhões de milhas). Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech / SwRI.
Esta imagem composta do cometa interestelar 3I/ATLAS foi capturada em 6 de novembro de 2025 pelo instrumento UVS a bordo da sonda Europa Clipper da NASA, a uma distância de cerca de 164 milhões de km (103 milhões de milhas). Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech / SwRI.


As observações da Europa Clipper não são apenas "fotos" bonitas. Elas revelam a impressão digital química do cometa. O instrumento UVS analisou como a luz solar é absorvida e refletida pelos gases que emanam do núcleo do cometa.


Nota: Quando um cometa se aproxima do Sol, o gelo sublima (passa do estado sólido para o gasoso), criando a "coma" (cabeleira) e a cauda.


O que descobrimos até agora:

  • Composição Exótica: O 3I/ATLAS possui uma proporção de monóxido de carbono e metais (ferro e níquel) diferente de tudo o que vemos nos cometas "nativos" do nosso Sistema Solar.

  • Idade Ancestral: Estimativas sugerem que este cometa se formou há mais de 10 mil milhões de anos em um sistema estelar distante, sobrevivendo muito antes de a própria Terra existir.


Por Que Isso Importa?

Estudar o 3I/ATLAS é como analisar um fragmento arqueológico de outro sistema planetário sem sair de casa. Através dos olhos da Europa Clipper, estamos a comparar como a química da vida e dos planetas se comporta em diferentes partes da galáxia.


Este evento reforça que o espaço não é um vazio isolado, mas uma rede conectada por viajantes solitários que transportam a história do cosmos.


Glossário para o Leitor JS:

  • Órbita Hiperbólica: Uma trajetória em forma de "V" aberto que indica que o objeto tem velocidade suficiente para escapar da gravidade do Sol.

  • UVS (Ultraviolet Spectrograph): Instrumento que estuda a luz ultravioleta para identificar a composição de gases.

  • Periélio: O ponto da órbita mais próximo do Sol.


FAÇA PARTE DA NOSSA COMUNIDADE:

Instagram


Youtube   


Site  


Whatsapp


X/Twitter

 
 
 

Comentários


bottom of page