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A engrenagem da democracia: quanto custa manter os 71 mil cargos eletivos do Brasil?

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • há 13 horas
  • 2 min de leitura
Congresso Nacional, Brasília, DF. Foto: Lagartense/Reprodução
Congresso Nacional, Brasília, DF. Foto: Lagartense/Reprodução

A democracia brasileira impressiona por suas dimensões. Ao todo, o país soma 71.237 cargos políticos eletivos, divididos entre as esferas federal, estadual e municipal. De um lado, a estrutura garante representatividade direta aos mais de 200 milhões de cidadãos espalhados por 5.569 municípios; de outro, impõe um desafio orçamentário bilionário que demanda fiscalização e transparência constantes.


Entre a logística necessária para realizar os pleitos e a manutenção das estruturas legislativas e executivas ao longo de um ciclo de quatro anos, estima-se que o custo para os cofres públicos ultrapasse a marca de R$ 240 bilhões por quadriênio.


O tamanho da representação política

A distribuição das vagas eletivas reflete a descentralização do poder no Brasil, com uma concentração esmagadora na base municipal:

  • Presidência da República: 1 Presidente e 1 Vice-Presidente

  • Senado Federal: 81 Senadores

  • Câmara dos Deputados: 513 Deputados Federais

  • Assembleias Legislativas: 1.035 Deputados Estaduais

  • Prefeituras: 5.569 Prefeitos e 5.569 Vice-Prefeitos

  • Câmaras Municipais: 58.444 Vereadores


O custo de eleger: R$ 17,6 bilhões por ciclo

Para renovar ou manter essa engrenagem a cada quatro anos, o Brasil realiza duas eleições gerais/municipais. A conta envolve o financiamento público de campanhas, a manutenção dos partidos e a logística operacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

  • Fundo Eleitoral (Fundão): Cerca de R$ 4,9 bilhões por eleição, somando aproximadamente R$ 9,8 bilhões no ciclo.

  • Fundo Partidário: Destinado ao funcionamento diário das legendas, com repasses anuais que somam cerca de R$ 4,8 bilhões em quatro anos.

  • Logística do TSE: Despesas com urnas eletrônicas, transporte, contratação temporária e segurança, totalizando perto de R$ 3 bilhões para os dois pleitos.


O custo de manter: a estrutura em funcionamento

O valor mais expressivo, no entanto, não está no dia da votação, mas no funcionamento contínuo do aparato público durante o mandato. A conta inclui subsídios, verbas de gabinete para assessoria, cotas parlamentares, despesas operacionais e manutenção dos palácios e casas legislativas:

Esfera / Estrutura

Custo Estimado (4 Anos)

Câmaras Municipais (~5.570 casas)

~R$ 95 bilhões

Assembleias Legislativas (27 estados/DF)

~R$ 64 bilhões

Congresso Nacional (Câmara + Senado)

~R$ 58 bilhões

Executivo Direto (Presidência, Governos e Prefeituras)

~R$ 15 bilhões

Eleições e Partidos (Fundos + Operação TSE)

~R$ 17,6 bilhões

TOTAL ESTIMADO DO QUADRIÊNIO

~R$ 249,6 bilhões


Transparência e controle social

Acompanhar a aplicação desses recursos é um direito e um dever do cidadão. As informações detalhadas sobre a execução desse orçamento podem ser consultadas publicamente por meio dos canais oficiais:

  • SIGA Brasil (Senado Federal): Painel de consulta ao Orçamento Geral da União.

  • DivulgaCandContas (TSE): Portal de prestação de contas de candidatos e partidos.

  • Portais da Transparência: Plataformas mantidas por estados e municípios para prestação de contas de Câmaras, Assembleias e Prefeituras.


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