Professora de colégio militarizado em Boa Vista denuncia assédio moral e gestor é afastado.
- Hermes Vissotto

- 21 de mai.
- 3 min de leitura

Caso ocorreu no CEM Maria dos Prazeres Mota após servidora questionar movimentação de pessoal em grupo de mensagens; Polícia Civil arquivou BO por entender que disputa é administrativa.
BOA VISTA — Uma professora de 56 anos do Colégio Estadual Militarizado (CEM) Maria dos Prazeres Mota, localizado no bairro Santa Tereza, na zona Oeste de Boa Vista, registrou um boletim de ocorrência denunciando ter sido vítima de intimidação, censura e assédio moral por parte da gestão da unidade. O desentendimento começou após a docente questionar, em um grupo de mensagens dos servidores, o motivo da saída de uma orientadora pedagógica da instituição.
A escola funciona sob o modelo de gestão compartilhada, que divide as responsabilidades educacionais e disciplinares entre educadores civis, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima.
O estopim e a tentativa de 'alinhamento'
De acordo com o relato da servidora, que atua há 12 anos na unidade e possui 38 anos de carreira no magistério, o caso teve início no dia 9 de maio, quando enviou a pergunta no grupo de WhatsApp e ficou sem resposta. Dois dias depois, ao se apresentar para o trabalho, ela foi convocada para uma reunião com a cúpula da gestão, que incluía o gestor administrativo (um tenente-coronel dos bombeiros), um coronel, uma gestora pedagógica e a coordenadora da escola.
Na ocasião, foi solicitado que a professora assinasse um documento de "alinhamento" que, segundo a denúncia, restringia o direito dos funcionários de questionarem as deliberações da gestão compartilhada nos canais de comunicação. Sentindo-se constrangida e intimidada, ela se recusou a assinar o termo.
No dia seguinte, a direção publicou um comunicado no grupo proibindo formalmente questionamentos sobre decisões administrativas ou movimentação de pessoal no aplicativo. Após o episódio, a docente relatou ter passado a sofrer questionamentos de outros funcionários sobre sua permanência e autorização para realizar atividades na escola.
A servidora, que é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e coordena projetos de incentivo à literatura e escuta psicológica com os alunos, precisou ser afastada de suas funções por 14 dias para tratamento de saúde em decorrência do estresse gerado pela situação.
Afastamento do gestor
Procurada para prestar esclarecimentos, a Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed) informou que o gestor administrativo da escola foi imediatamente afastado de suas funções na unidade de ensino. Como o servidor pertence aos quadros do Corpo de Bombeiros, ele foi encaminhado ao comando da corporação para que os fatos sejam devidamente apurados.
Em nota, a Seed reiterou que "não compactua com quaisquer atos de desrespeito ou assédio dentro das escolas, mantendo o compromisso com a oferta de uma educação de qualidade, gerida de forma democrática e harmônica no ambiente educacional".
Polícia Civil arquiva procedimentos criminais
A Polícia Civil de Roraima confirmou que dois boletins de ocorrência foram registrados sobre o mesmo episódio: um por parte da professora e outro pelo gestor da escola. Ambos os registros foram analisados pelo 3º Distrito Policial em menos de 24 horas.
Após avaliação técnica e jurídica, a instituição concluiu que não havia elementos mínimos para a abertura de uma investigação criminal. O entendimento da polícia é de que o episódio configura, a princípio, um conflito funcional e administrativo de ambiente de trabalho, sem indícios de prática delituosa. Os procedimentos foram arquivados por ausência de justa causa para persecução penal, embora a decisão possa ser revista caso surjam novos elementos com relevância criminal.

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