Policial penal é investigado por agiotagem, perseguição e ameaças.
- Hermes Vissotto

- 21 de jul.
- 2 min de leitura

Servidor teria emprestado R$ 5 mil com juros abusivos e passou a cobrar R$ 25 mil após atraso no pagamento; Justiça determinou medida protetiva de urgência.
A Polícia Civil de Roraima investiga o policial penal Paulo dos Santos Silva por suspeita de agiotagem, perseguição e ameaça contra uma professora que atua no sistema prisional em Boa Vista. O caso, que teve acesso liberado ao inquérito pela Justiça, detalha uma série de cobranças intimidadoras e abusivas após o atraso de parcelas de um empréstimo informal.
De acordo com as investigações, a vítima contratou um empréstimo verbal de R$ 5 mil com o agente, mediante a cobrança de juros de 20% ao mês. Após pagar as primeiras parcelas dentro do prazo, a servidora enfrentou um imprevisto financeiro em abril de 2026. A partir do atraso, o policial passou a aplicar taxas excessivas, alegando que a dívida teria saltado para R$ 25 mil.
Intimidações e perseguição
As cobranças ocorriam de forma recorrente por mensagens no WhatsApp, ligações em horários inoportunos, inclusive durante a madrugada, e contatos direcionados ao marido e à irmã da professora. Em uma das mensagens enviadas à vítima, o policial declarou: "Não se queime comigo minha amiga. Eu não tenho coração, sempre te falei isso".
A perseguição se estendeu aos locais de trabalho da professora, onde o investigado fez cobranças públicas na presença de clientes. Em uma das ocasiões, o filho da servidora, um adolescente de 14 anos, presenciou os gritos e abordagens do agente. Diante do quadro contínuo de pressão e intimidação, a vítima desenvolveu síndrome do pânico e passou a necessitar de acompanhamento psicológico.
Medidas protetivas e posicionamento oficial
Com parecer favorável do Ministério Público de Roraima (MPRR), o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) deferiu medidas protetivas de urgência em favor da professora e de seus familiares. Pela decisão judicial, Paulo dos Santos Silva deve manter distância mínima de 300 metros da mulher e está proibido de estabelecer qualquer tipo de contato com a vítima ou parentes.
O juiz responsável indeferiu o pedido de suspensão do porte de arma do investigado, citando a necessidade do equipamento para o exercício da função policial, mas alertou que qualquer descumprimento das restrições poderá acarretar sanções mais severas.
A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) confirmou o recebimento da notificação judicial e informou que não há, até o momento, ordem para afastamento do cargo. A Corregedoria do órgão informou que acompanha o andamento do inquérito e aguardará a conclusão das apurações para adotar as providências administrativas cabíveis.
O outro lado
Em nota, a defesa de Paulo dos Santos Silva afirmou que as acusações são improcedentes e que a própria professora reconheceu a existência da dívida em depoimento prestado à polícia. Segundo a defesa, a denúncia seria uma tentativa de esquivar-se do pagamento do valor acordado. O servidor informou ter apresentado documentos à Justiça para demonstrar a legalidade do acordo e ressaltou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

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