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O Xadrez de 2026: Lula consolida dianteira, Flávio Bolsonaro sofre desgaste com crises internas e Planalto colhe frutos do aceno à classe média.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 15 de jul.
  • 5 min de leitura

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest de julho de 2026 revela um reposicionamento significativo no tabuleiro sucessório brasileiro. Com o governo colhendo os primeiros reflexos positivos de medidas pragmáticas para a classe média, o presidente Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto a campanha do senador do PL acende o sinal de alerta e tenta estancar a sangria provocada por atritos familiares e crises partidárias.


A mais recente pesquisa nacional Genial/Quaest (registro BR-07181/2026), realizada entre os dias 10 e 13 de julho com 2.004 eleitores, trouxe dados de forte impacto para os estrategistas políticos em Brasília. A menos de três meses do primeiro turno, o cenário de calmaria e equilíbrio técnico que se desenhava nas rodadas anteriores deu lugar a uma nítida vantagem numérica em favor do atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera confortavelmente com 40% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que registra 28%. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o candidato do Missão, Renan Santos, aparecem na sequência com 4% e 3%, respectivamente.


Acesse a pesquisa completa clicando no arquivo abaixo:


O Cenário de Primeiro Turno (Estimulado)

Pré-candidato

Partido

Intenção de Voto (%)

Lula

PT

40%

Flávio Bolsonaro

PL

28%

Ronaldo Caiado

PSD

4%

Renan Santos

Missão

3%

Romeu Zema

Novo

2%

Outros Candidatos (Daciolo, Cury, Barbosa, Samara)

Vários

4%

Branco / Nulo / Não votaria

-

11%

Indecisos

-

8%

A pesquisa revela que a cristalização do voto é alta: 65% dos entrevistados afirmam que a sua decisão de voto já é definitiva, enquanto 35% admitem que ainda podem alterar sua escolha até o dia da votação.


A Batalha do Segundo Turno: Lula Abre Vantagem

Arte: Portal Hermes Vissotto.
Arte: Portal Hermes Vissotto.

O dado mais alarmante para a oposição reside nas simulações de segundo turno. Em maio deste ano, Lula e Flávio Bolsonaro encontravam-se em empate técnico rigoroso (42% a 41%). Em junho, o placar oscilou para 44% a 38%. Agora, em julho, a vantagem do petista consolidou-se em oito pontos percentuais: 45% para Lula contra 37% para Flávio Bolsonaro.


O presidente também mantém a liderança isolada em simulações contra outros potenciais oponentes da direita, demonstrando uma estabilidade de 45% de piso de votação no segundo turno:

  • Lula (45%) x Ronaldo Caiado (36%): Vantagem de 9 pontos.

  • Lula (45%) x Romeu Zema (35%): Vantagem de 10 pontos.

  • Lula (45%) x Renan Santos (33%): Vantagem de 12 pontos.


A Mudança de Rota de Lula: Foco na Classe Média e Consumo

O diretor do instituto Quaest e analistas políticos apontam que a recuperação da imagem de Lula, cuja aprovação pessoal do trabalho (48%) superou a desaprovação (47%) pela primeira vez desde dezembro de 2024, decorre de um pragmatismo econômico focado no "miolo" da pirâmide social.


Após perceber que o país não se divide estritamente entre os muito ricos e os muito pobres, e sob forte influência da nova ala estratégica do governo (composta por Sidônio Palmeira, Guilherme Boulos e José Guimarães), o Planalto implementou medidas diretas de alívio econômico.


Dentre as ações que destravaram o consumo da classe média e reduziram a rejeição ao governo federal, destacam-se:

  1. Isenção ampliada do IR: A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais foi recebida como um forte alento para as famílias de classe média.

  2. Desenrola 2: A continuidade e ampliação do programa de renegociação de dívidas, limpando o nome de milhões de consumidores.

  3. Apoio a motoristas de aplicativos: Linhas de crédito facilitado e barato para a renovação de frota de trabalhadores autônomos.

  4. A "Taxa das Blusinhas": O recuo estratégico do governo federal e a redução de impostos sobre importações populares de baixo valor, que vinham gerando forte antipatia entre o eleitorado jovem.


Esse conjunto de medidas fez com que a aprovação ao governo na faixa de renda superior a 5 salários mínimos saltasse de 35% para 41%, enquanto a desaprovação nesse mesmo grupo caiu de 60% para 54% em apenas um mês.


Análise de Bastidores: O Desgaste de Flávio Bolsonaro

A desaceleração de Flávio Bolsonaro coincide com uma sequência de crises políticas e familiares. A briga pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é o exemplo mais nítido: 49% dos eleitores tomaram conhecimento do caso, e 42% declararam concordar mais com Michelle (que alega ter sido maltratada e humilhada pelo enteado) do que com Flávio (apenas 18% o apoiam). Esse racha familiar reduziu o percentual de eleitores que enxergam Flávio como uma liderança "moderada" de 33% para 29%.


Rachas e Perda de Espaço na Direita

Arte: Portal Hermes Vissotto.
Arte: Portal Hermes Vissotto.

Além do flanco familiar exposto, Flávio Bolsonaro enfrenta sérios vazamentos na sua base de apoio. O levantamento indica uma perda gradual e constante de votos na chamada "direita não bolsonarista". Nesse segmento, o senador detinha 90% das intenções de voto em abril; o número caiu para 88% em maio, 82% em junho, e despencou para 74% em julho.

Mesmo entre os bolsonaristas convictos, a liderança de Flávio oscilou negativamente de 97% para 91%. Nesse vácuo, candidaturas alternativas de direita começam a se fortalecer: Romeu Zema cresceu de 78% para 85% de apoio entre bolsonaristas convictos em simulação de segundo turno contra Lula, e Renan Santos subiu de 74% para 81%.


Soma-se a isso o impacto de investigações e decisões judiciais recentes, como a proibição imposta pelo ministro Alexandre de Moraes para que Flávio visite seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar por 90 dias, e as investigações envolvendo operações da PF e bloqueio de contas de caciques do PL.


Bastidores: Campanha de Flávio "Estranha" Dados e Reage

De acordo com apuração dos bastidores de Brasília, o núcleo duro da campanha de Flávio Bolsonaro recebeu os números da Quaest com profunda desconfiança e "estranheza". Aliados do senador argumentam reservadamente que a vantagem de oito pontos de Lula no segundo turno contrasta com os dados de outras pesquisas divulgadas na mesma semana.


Como contra-ataque e medida de checagem, a coordenação da campanha de Flávio decidiu adotar duas frentes de ação imediatas:

  1. Grupo de Trabalho de Dados: Montagem de uma equipe estatística dedicada exclusivamente a decifrar a metodologia e a distribuição das amostras da Quaest por região e renda.

  2. Contratação de Pesquisas Qualitativas: O partido encomendará pesquisas de foco qualitativo para entender se as crises (especialmente o embate com Michelle Bolsonaro) geraram marcas permanentes no eleitorado ou se constituem apenas um desgaste passageiro de imagem.


Integrantes do PL insistem que pesquisas recentes de outros institutos tradicionais mostram um cenário de polarização muito mais acirrada, como a Nexus/BTG (que aponta Lula com 47% contra 44% de Flávio) e a Futura/Apex (que registra um cenário de empate milimétrico de 46,3% a 46,1%). A disputa, portanto, segue em aberto, mas o sinal amarelo definitivamente acendeu no QG bolsonarista.


Ficha Técnica da Pesquisa: > Pesquisa realizada pelo instituto Quaest, contratada pela Genial Investimentos. Entrevistou 2.004 eleitores presencialmente entre 10 e 13 de julho de 2026. Margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Nível de confiança de 95%. Registro no TSE sob o número BR-07181/2026.


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