O Raio-X da Sétima Cirurgia de Bolsonaro e a Estratégia Médica para Evitar Novas Complicações.
- Hermes Vissotto

- 25 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de dez. de 2025

Desde o atentado em setembro de 2018, Bolsonaro passou por pelo menos sete grandes intervenções cirúrgicas. Para um cirurgião, cada nova operação em uma região já operada é um desafio exponencial:
A Facada e as Obstruções: As perfurações intestinais iniciais geraram aderências (tecidos cicatriciais internos que "colam" os órgãos). Essas aderências causaram episódios recorrentes de suboclusão intestinal, exigindo cirurgias de emergência e revisões complexas.
A Fragilidade da Parede: Tantas incisões enfraquecem a musculatura. Em abril de 2025, ele já havia passado por uma cirurgia de 12 horas para desobstrução e reconstrução da parede abdominal.
A Cirurgia de Hoje
A cirurgia realizada neste Natal no Hospital DF Star visou corrigir uma hérnia inguinal bilateral. Diferente das hérnias incisionais (que surgem na cicatriz de cirurgias anteriores), a inguinal ocorre na virilha.
O que foi feito?
Reparo de Dupla Face: O cirurgião identificou a protrusão de tecido (geralmente gordura ou alça intestinal) através do canal inguinal em ambos os lados.
Uso de Telas: Devido à fragilidade sistêmica de sua parede abdominal, o uso de telas de polipropileno é mandatório para reforçar a área e reduzir o risco de recidiva (volta da hérnia).
Técnica: O procedimento durou cerca de 3h30. Embora pudesse ser feito por vídeo (laparoscopia), em pacientes com muitas aderências, a cirurgia aberta muitas vezes é preferida para evitar lesões acidentais em alças intestinais "coladas" à parede.
Um ponto que chama a atenção na mídia é a crise de soluços. O soluço persistente (singulto) em pacientes multi-operados pode ser causado pela irritação do nervo frênico ou do diafragma, muitas vezes devido à distensão gástrica ou aderências próximas ao gradil costal.
A Intervenção Futura: Está prevista para segunda-feira (29/12) uma avaliação para um bloqueio do nervo frênico. É um procedimento anestésico para "desligar" temporariamente o estímulo que causa o espasmo do diafragma, trazendo alívio respiratório e digestivo ao paciente.
O futuro cirúrgico de um paciente com esse histórico exige monitoramento vitalício. Os principais riscos a longo prazo são:
Novas Aderências: Ironicamente, a cirurgia para curar o problema pode gerar novas cicatrizes internas, aumentando o risco de futuras obstruções.
Rejeição ou Infecção da Tela: Embora raro, o corpo pode reagir ao material sintético, especialmente em pacientes com histórico de infecções prévias.
Hérnias Incisionais: A pressão intra-abdominal deve ser rigorosamente controlada. Esforços físicos intensos estão proibidos por pelo menos 60 a 90 dias.
O sucesso da cirurgia de hoje é um passo importante, mas a estabilidade depende da função intestinal nos próximos 5 dias. O foco agora é a "dieta zero" evoluindo para pastosa, garantindo que o trânsito intestinal não sofra com a nova manipulação.

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