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O Fim de uma Era no Centrão: A Expulsão de Celso Sabino e o Divórcio Definitivo entre União Brasil e Governo Lula.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 8 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura
O ministro do Turismo, Celso Sabino  • Roberto Castro/Mtur
O ministro do Turismo, Celso Sabino • Roberto Castro/Mtur

A política brasileira amanheceu nesta segunda-feira com o desfecho de uma das novelas mais arrastadas da Esplanada dos Ministérios. O União Brasil, legenda que nasceu gigante, confirmou a expulsão sumária de Celso Sabino, Ministro do Turismo, selando de vez o rompimento da sigla com o governo Luiz Inácio Lula da Silva e marcando posição para a corrida presidencial de 2026.


Mas para entender como chegamos a este documento de expulsão, é preciso olhar para o retrovisor e compreender a trajetória do parlamentar.


Quem é Celso Sabino?

Celso Sabino de Oliveira, 47 anos, advogado e administrador, construiu sua base política no Pará. Egresso do PSDB, migrou para o União Brasil surfando na onda do "Centrão". Figura de bastidor, Sabino sempre foi visto como um operador habilidoso e um aliado fiel do presidente da Câmara, Arthur Lira. Sua política é pragmática: foco em emendas, entrega de obras e articulação regional, especialmente visando a projeção de Belém e do estado do Pará.


A Ascensão: A Troca de 2023

A entrada de Sabino no primeiro escalão do governo Lula, em julho de 2023, foi um movimento cirúrgico de "realpolitik". Naquele momento, o governo sofria para aprovar pautas no Congresso e a então ministra, Daniela Carneiro (Daniela do Waguinho), embora leal a Lula, não entregava os votos do União Brasil na Câmara.


Lula, pragmático, aceitou a troca. Saiu Daniela, entrou Sabino. A promessa era clara: a entrada do deputado paraense garantiria a fidelidade de uma bancada rebelde. Por quase dois anos, a equação funcionou, com Sabino atuando como um "amortecedor" entre as demandas do Centrão e o Palácio do Planalto.


O Rompimento: O Xadrez de 2026

O cenário mudou drasticamente no segundo semestre de 2025. Com a aproximação do ano eleitoral, a direção nacional do União Brasil decidiu que não poderia mais carregar a pecha de "governidada".


Em setembro de 2025, o partido emitiu um ultimato: entrega dos cargos ou saída da legenda. O objetivo era limpar o terreno para um discurso de oposição franca em 2026.


O Imbróglio: A Resistência de Sabino

Enquanto outros quadros recuaram, Sabino fincou o pé. Seus motivos eram estratégicos e regionais:

  1. A COP30: Com a conferência climática marcada para Belém, deixar o Ministério do Turismo seria um suicídio político para suas pretensões de disputar o Senado pelo Pará. Ele precisava da vitrine.

  2. Apoio de Lula: O presidente bancou sua permanência, criando uma situação inusitada: um ministro sem partido (na prática), sustentado apenas pela "cota pessoal" do presidente, desafiando a própria legenda.

Sabino apostou que o partido não o expulsaria para não lhe dar a "carta de alforria" (que permite a troca de partido sem perda de mandato de deputado). Ele errou o cálculo. A direção do partido preferiu perder um deputado a manter a ambiguidade.


A Decisão

Após meses de desgaste, o Conselho de Ética e a Executiva Nacional do União Brasil reuniram-se hoje para deliberar. A decisão foi pela expulsão por "infidelidade partidária" e "insubordinação grave".


Abaixo, transcrevemos o teor da decisão comunicada pela Executiva Nacional:

UNIÃO BRASIL — DIRETÓRIO NACIONAL

DECISÃO DE PROCESSO DISCIPLINAR

Brasília, 8 de dezembro de 2025

Assunto: Processo Disciplinar nº 042/2025 – Expulsão de Filiado.


O Conselho de Ética e Disciplina do UNIÃO BRASIL, no uso de suas atribuições estatutárias, e corroborado pela Executiva Nacional, comunica a decisão referente ao processo disciplinar instaurado em face do filiado CELSO SABINO DE OLIVEIRA.


CONSIDERANDO a Resolução Partidária nº 12/2025, de setembro de 2025, que determinou o desembarque oficial da legenda da base do Governo Federal e a consequente entrega de todos os cargos de confiança ocupados por seus filiados;

CONSIDERANDO a recusa reiterada e pública do filiado em acatar as diretrizes estabelecidas pelo Diretório Nacional, mantendo-se no cargo de Ministro de Estado do Turismo à revelia da orientação partidária;

CONSIDERANDO que tal conduta configura infração grave aos deveres de disciplina e fidelidade partidária, previstos no Estatuto do Partido, ferindo a unidade e a estratégia política da agremiação;


RESOLVE:

1. Aplicar a pena de EXPULSÃO ao filiado Celso Sabino de Oliveira, com o consequente cancelamento de sua filiação partidária, nos termos do Código de Ética e do Estatuto do União Brasil.

2. Declarar que o referido parlamentar não mais representa o União Brasil em qualquer esfera política ou administrativa.

3. Comunicar a decisão à Justiça Eleitoral e à Presidência da Câmara dos Deputados para os devidos fins legais.


Esta decisão entra em vigor na data de sua publicação.


Antônio de Rueda

Presidente Nacional do União Brasil


O Que Vem Pela Frente?

Para Celso Sabino, a expulsão é, ironicamente, um alívio jurídico. Expulso, ele não perde o mandato de deputado federal (do qual está licenciado) e fica livre para negociar seu passe. O Republicanos surge como o destino mais provável, permitindo que ele continue na base de Lula e dispute o Senado em 2026.


Para o União Brasil, a página virou. O partido agora se lança oficialmente como oposição, sem as amarras de ter um ministro sentado na Esplanada. A campanha de 2026 começou hoje.



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