Horror no Quartel: Ex-soldados denunciam tortura e abuso sexual no 59º Batalhão de Infantaria Motorizado.
- Hermes Vissotto

- 12 de abr.
- 2 min de leitura

Uma série de denúncias gravíssimas de violação de direitos humanos está abalando as estruturas do Exército Brasileiro em Alagoas. Dois ex-soldados que serviram no 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (59º BIMtz), sediado em Maceió, vieram a público relatar episódios de tortura, humilhação sistemática e abuso sexual ocorridos dentro da unidade militar durante o ano de 2025.
As denúncias, que já foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público Militar (MPM), descrevem um cenário de barbárie que transformou o sonho da carreira militar em um pesadelo psicológico para os jovens recrutas.
Relatos de Crueldade: Câmara Fria e Abuso Sexual
Os depoimentos das vítimas detalham práticas que ferem a dignidade humana e a própria legislação militar. Em um dos casos, um militar relatou ter sido levado para uma câmara fria, onde foi obrigado a se despir e sofreu agressões físicas severas.
O segundo caso envolve um crime de natureza sexual. O ex-soldado Pablo Vince, que decidiu expor o trauma publicamente, relatou que foi atacado enquanto dormia no alojamento da companhia. Segundo Vince, colegas de farda praticaram atos libidinosos contra ele, chegando a passar o pênis em seu rosto, enquanto outro militar registrava a cena em vídeo.
"O que era felicidade se transformou em pesadelo. Fui vítima de abuso sexual por colegas de farda dentro da companhia. Só tive conhecimento dias depois", afirmou Pablo, destacando a falta de apoio institucional após o ocorrido.
A Resposta do Comando e a Busca por Justiça
O comando do 59º BIMtz informou que, após tomar conhecimento dos fatos, instaurou investigações internas que resultaram em punições disciplinares, incluindo a prisão administrativa e o desligamento dos militares envolvidos.
No entanto, para as vítimas e seus representantes legais, as medidas administrativas são insuficientes diante da gravidade dos crimes. Eles pleiteiam:
A abertura de inquéritos criminais para a responsabilização penal dos agressores.
Investigação sobre possíveis omissões na cadeia de comando.
Reparação pelos danos psicológicos causados pela violência e pelas humilhações durante o período de formação.
Implicações Legais
O caso agora tramita nos órgãos competentes. Vale ressaltar que a tortura é considerada crime inafiançável e imprescritível pela Constituição Brasileira. Além disso, a prática de atos sexuais sem consentimento e o registro/divulgação de tais cenas configuram crimes graves tanto no Código Penal Comum quanto no Código Penal Militar.
O Portal Hermes Vissotto seguirá acompanhando os desdobramentos das investigações e a manifestação oficial do Ministério Público sobre o oferecimento das denúncias à Justiça.
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