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Hoje é o Dia Mundial do Rock, bebê!

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 13 de jul.
  • 3 min de leitura

Se você ouviu essa frase e imediatamente fez o clássico sinal da mão em chifre com os dedos, parabéns: você foi fisgado pelo espírito do rock 'n' roll. Todo dia 13 de julho, o Brasil se une em uma espécie de transe coletivo para celebrar guitarras distorcidas, baterias pesadas e letras que contestam o status quo. Mas de onde vem essa força e por que escolhemos justamente essa data?


1. A Ironia da Data: O Dia "Mundial" que é Brasileiro



A primeira grande curiosidade sobre o Dia Mundial do Rock é que... ele não é mundial. Se você for para os Estados Unidos ou para a Europa no dia 13 de julho, a data passará como um dia qualquer. A celebração é um fenômeno essencialmente brasileiro.


Tudo começou em 13 de julho de 1985, o dia do Live Aid. Esse foi um festival de rock histórico organizado por Bob Geldof, que aconteceu simultaneamente em Londres (Inglaterra) e na Filadélfia (EUA), com o objetivo de arrecadar fundos para combater a fome na Etiópia.


O evento reuniu gigantes como Queen, Led Zeppelin, Dire Straits, Mick Jagger e Phil Collins. Durante sua apresentação, Phil Collins olhou para a multidão e sugeriu que aquele dia deveria ser considerado o "Dia Mundial do Rock". No início dos anos 1990, duas rádios brasileiras dedicadas ao gênero (a paulistana 89 FM e a carioca Rádio Cidade) abraçaram a ideia e começaram a promover a data em suas programações. O público colou, e a tradição se consolidou no nosso calendário.


2. O Caldeirão do Diabo: A Origem do Ritmo

Para entender o rock, precisamos voltar um pouco no tempo, até o final dos anos 1940 e início dos anos 1950, no sul dos Estados Unidos. O rock não nasceu do nada; ele é o filho rebelde de um casamento musical complexo.


O gênero surgiu da fusão entre a música negra e a música branca da época:

  • Rhythm and Blues (R&B) e Gospel: Trazidos pela comunidade afro-americana, injetaram o ritmo acelerado, os vocais poderosos e a batida dançante.

  • Country e Folk: Trazidos pela comunidade branca rural, contribuíram com as estruturas melódicas e as narrativas das letras.


Pioneiros negros como Sister Rosetta Tharpe (considerada por muitos a verdadeira mãe do rock com sua guitarra elétrica inovadora), Chuck Berry e Little Richard moldaram a estética do estilo. Logo depois, figuras como Elvis Presley popularizaram o ritmo para as massas, quebrando barreiras de segregação racial na música e assustando a sociedade conservadora da época.


3. Muito Além das Caixas de Som: A Cultura Rock

O rock nunca foi apenas um estilo musical; ele sempre funcionou como uma subcultura e uma válvula de escape para a juventude.

  • Moda e Atitude: Das jaquetas de couro dos greasers nos anos 50, passando pelas cores psicodélicas dos hippies nos anos 60, as roupas rasgadas e alfinetes dos punks nos 70, até as camisas de flanela do grunge nos anos 90. O rock sempre usou a moda como um uniforme de protesto.

  • Contestação Social: O rock foi a trilha sonora dos protestos contra a Guerra do Vietnã, da luta pelos direitos civis e dos movimentos de contracultura. Ele deu voz a quem se sentia invisível ou sufocado pelas regras sociais.


4. O Rock em Terra Brasilis

Não dá para falar de rock no Brasil sem citar a nossa própria metamorfose. Nós pegamos a fórmula americana/britânica e adicionamos a nossa própria ginga e urgência política.


Passamos pela Jovem Guarda nos anos 60, pela genialidade antropofágica dos Mutantes e de Raul Seixas nos anos 70, até explodirmos no BRock dos anos 80 com bandas como Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Titãs, que traduziram a redemocratização do país em poesia e revolta. Nos anos 90, o som ganhou o peso do Sepultura no metal mundial e a mistura única de Chico Science e Raimundos.


O Rock Morreu? Há quem diga que o rock perdeu espaço nos topo das paradas para o pop, o hip-hop e o streaming. Mas a verdade é que o rock não precisa estar no topo do Spotify para estar vivo. Ele se tornou um clássico imortal. Enquanto houver um jovem trancado no quarto tentando aprender um solo de guitarra ou alguém contestando uma injustiça, o rock continuará respirando.


Aumente o som, coloque o seu disco favorito para rodar e celebre. Afinal, hoje é o Dia Mundial do Rock, bebê!


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